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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 250

Cássio

Três dias.

Três dias vendo ela acordar e não se levantar. Três dias de refeições que voltavam quase intactas, de conversas curtas, de um silêncio que não era o silêncio tranquilo que eu conhecia dela, era o outro tipo, um doloroso. Triste, que parecia me fechar para fora. Sem me deixar entrar ou permanecer.

Eu não sabia o que fazer com isso.

Sabia resolver, agir, montar estratégia, usar cada peça disponível para chegar no resultado certo. Mas ficar parado ao lado de alguém que está sofrendo de um jeito que não tem solução imediata, esse era o exercício mais difícil que eu conhecia.

Desci cedo, preparei a bandeja com cuidado com a Tamara. Ela estava tão preocupada quanto eu.

Fizemos café do jeito que ela gostava, torrada com manteiga, uma fruta que a Vânia tinha deixado cortada na geladeira na noite anterior. Tudo simples, mas que deixava a pessoa com a sensação de, estou aqui pra você,

Subi devagar, empurrei a porta do quarto com o cotovelo.

Ela estava acordada, recostada nos travesseiros, o olhar em algum lugar longe da janela. Quando me ouviu entrar, virou o rosto, e sorriu.

Aquele sorriso partiu meu coração ao meio.

Porque era real, ela estava tentando, estava me dando o que tinha, mas era pequeno demais para o rosto dela. Triste demais para quem eu conhecia.

Coloquei a bandeja na cama com cuidado e me sentei ao lado dela.

"Bom dia."

"Bom dia." A voz saiu rouca, de quem dormiu mal.

Fiquei olhando para ela por um segundo, e então segurei a mão dela.

"Estava pensando." Falei com cuidado, escolhendo o tom. "Que você, eu e a Aelyn poderíamos sair hoje. Fazer alguma coisa juntos, os três. Em família. Levar a Serena para ter sensações novas."

Ela me olhou.

E então desviou o olhar para a janela.

"Não sei se serei uma boa companhia", disse, baixo. "Eu... não sei se quero ver gente ainda." suas apalvras morreram por um instante. "Não me conformo, Cássio. Ainda não me conformo." Seu desespero era nítido. "Como minha própria família pode fazer isso. Como alguém olha para uma criança e decide que ela precisa morrer. Que ela é um obstáculo." Fechou os olhos por um segundo. "Meu Pedro era só uma criança."

Eu afastei a bandeja, me aproximei, e a puxei para perto.

Ela veio sem resistir, o rosto afundando no meu ombro, e eu a envolvi com os dois braços e fiquei assim, sem tentar apressar nada, sem oferecer palavras que não iam chegar onde precisavam.

Depois de um momento, falei.

"Estou fazendo o máximo possível para que ela seja responsabilizada." Mantive a voz firme, sem prometer o que não controlava, mas sem deixar espaço para dúvida sobre o que eu ia fazer. "Isso vai acabar, Branca. O André falou com o seu avô. Ele disse que daria um jeito, e eu acho que ele falava sério."

Ela ficou quieta por um segundo.

"Ele sempre fala." A voz saiu sem amargura, só cansaço. "Mas nem sempre acontece. Eu já aprendi a não criar expectativas com aquela família. Ainda mais quando o assunto é a Ana."

250. Ela foi presa 1

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