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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 246

Cássio

Levei a Branca para o quarto com cuidado, a peguei nos braços, porque percebia que qualquer esforço ainda era muito doloroso para ela. O mundo dela tinha saído do eixo de novo. Ela não falou nada no caminho, ficou encostada em mim, deixando eu seguir, e eu fiz isso em silêncio, sem pressa, sem tentar preencher o que não precisava ser preenchido.

A Laís já estava na porta quando chegamos.

Ela não perguntou nada, só abriu espaço, coloquei a Branca no chão e Laís a envolveu com naturalidade de quem sabe exatamente o que está fazendo, e eu vi quando a Branca afundou no abraço dela como se finalmente pudesse soltar o resto do peso.

"Eu fico com ela", a Laís disse baixinho, me olhando por cima do ombro da Branca.

Assenti, dando uma última olhada antes de fechar a porta.

Fiquei parado no corredor por um segundo, ouvindo o silêncio da casa, sentindo a raiva assentar num lugar controlado dentro de mim. Não tinha como eu tirar a dor dela naquele momento. Mas tinha como eu ajudar a resolver esse problema... de uma vez por todas, então desci decidido a fazer o meu melhor por ela e pelo Pedro.

O André estava no escritório quando entrei, de pé perto da janela, os braços cruzados, aquela expressão de quem está processando e planejando ao mesmo tempo.

Me sentei na cadeira, peguei o celular, mandei mensagem pro Souza.

Preciso de você aqui. Agora se possível.

A resposta veio em menos de dois minutos.

A caminho.

Larguei o celular na mesa e olhei pro André.

"Vamos trabalhar."

Ele se virou, assentiu, e veio sentar do outro lado da mesa sem precisar de mais explicação do que essa.

Enquanto esperávamos o Souza, fui abrindo o que já tinha, os relatórios, o cruzamento de dados, as cópias que ele tinha deixado comigo no fórum. Coloquei tudo em cima da mesa, organizei por ordem cronológica, comecei a montar a linha do tempo com a precisão de quem já fez isso centenas de vezes, mas nunca com tanto peso pessoal envolvido.

O André ficou do meu lado, absorvendo cada detalhe, fazendo perguntas certas, sem atrapalhar o raciocínio.

Quando o Souza chegou, quarenta minutos depois, a mesa já estava tomada de papel.

Ele entrou, fechou a porta, olhou para tudo aquilo e soltou um ar lento pelo nariz.

"Trouxe o que faltava", disse, abrindo a pasta que carregava. "Extrato bancário completo, registro de chamadas dos trinta dias anteriores ao acidente, e o laudo pericial que na época foi arquivado como inconclusivo." Colocou tudo na mesa. "Relido agora, com o que temos, não é mais inconclusivo assim."

Peguei o laudo.

"O que quer dizer?" questionei.

"Falaram que foi um cara bêbado que bateu neles, mas que nunca foi achado. Fugiu do local, mas... olha isso aqui..."

Li.

E então li de novo.

"Falha mecânica induzida", disse em voz alta, mais para mim mesmo do que para eles.

"É o que parece", Souza confirmou. "Não dá para provar ainda sem o perito refazer a análise, mas é consistente com o padrão."

André ficou em silêncio do meu lado, e eu não precisei olhar para ele para saber o que estava sentindo.

"Um pequeno toque já faria o motorista perder o controle."

Fiquei olhando para aquele laudo por um segundo, e então levantei o olhar.

"Ela não vai se entregar", disse. "E se o Souza for atrás dela agora, sem provas suficientes para uma prisão preventiva sólida, ela some. Tem dinheiro, tem contatos, tem o sobrenome." Pausei. "Precisamos de mais. Ou precisamos de uma isca."

O André me olhou.

"Que tipo de isca?"

246. Nosso plano 1

246. Nosso plano 2

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