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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 228

Laís

O quarto está mergulhado em um silêncio denso, quase sagrado. A luz amarelada do abajur desenha sombras suaves nas paredes, mas nada consegue esconder o peso do dia que ainda paira entre nós.

Eu estou sentada na beira da cama, observando André andar de um lado para o outro, inquieto, como um homem que carrega o mundo nas costas e acabou de descobrir que o mundo tem o rosto do filho dele.

Ele passa a mão pelos cabelos várias vezes, para no meio do caminho, suspira. Não consegue parar. Não consegue desligar.

"Você precisa descansar um pouco", murmuro, mesmo sabendo que é inútil.

Ele solta uma risada baixa, sem qualquer alegria, e finalmente para na minha frente. Seus olhos estão vermelhos, carregados de tudo o que ele não conseguiu dizer o dia inteiro.

"Descansar?", repete, balançando a cabeça. "Eu deixei meu filho lá, Laís… dez anos. Como eu vou conseguir fechar os olhos sabendo disso? Sabendo o que ele pode ter passado sem mim... Como eu... como eu vou me perdoar por isso?"

Levanto devagar e vou até ele. Seguro sua mão com ambas as minhas. Sinto o tremor sutil, a força contida, como se ele estivesse prestes a desabar ou sair correndo a qualquer segundo.

"Você não deixou ele", digo com calma, olhando fundo em seus olhos. "Você está lutando para trazer ele de volta. Tem uma diferença enorme nisso. Pare de se culpar por algo que não foi culpa sua. Emily é culpada de tudo isso, não você."

André me encara. E naquele olhar eu vejo tudo: culpa, medo, raiva de si mesmo… mas também algo novo, algo que nasce quente e forte no meio do caos.

Orgulho. Amor feroz. Uma determinação que faz meu peito apertar.

"Eu perdi dez anos da vida dele…", a voz dele sai rouca, quase quebrada. "Dez anos, Laís. Eu nem sei por onde começar. Nem sei ser o pai que ele merece."

Subo as mãos lentamente pelo seu peito até chegar ao seu rosto. Seguro seu maxilar com delicadeza, obrigando-o a me olhar de verdade.

"Você já começou, meu amor", sussurro. "Você já fez mais por ele em um único dia do que muitos pais fazem a vida inteira. E eu… eu vi tudo. Cada segundo. Ele amou o dia com você, por que você esteve presente em cada segundo."

Ele fecha os olhos por um instante, como se minhas palavras doessem e curassem ao mesmo tempo. Quando volta a abri-los, o olhar está diferente. Ainda tem dor, mas agora tem direção. Tem esperança.

E é nesse momento que meu coração se rende de vez.

Eu me apaixono por ele novamente, mais forte, mais maduro, mais profundo. Porque esse André não é só o homem com quem eu casei por impulso. É o homem que sangra, que erra, que cai… e que levanta para proteger o que é dele.

"Obrigado", ele diz de repente, a voz baixa e carregada.

"Por quê?"

228. Minha esperança 1

228. Minha esperança 2

228. Minha esperança 3

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