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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 210

André

Cássio para ao meu lado como um muro, sólido, atento, enquanto ela fica alguns passos à frente, parada, me olhando como se estivesse tentando encontrar no meu rosto alguma coisa que já não existe mais. O olhar dela desce lentamente até o meu braço imobilizado, e por um segundo há algo ali que quase parece sincero.

"Eu sinto muito por isso."

Eu solto uma risada baixa, sem humor, apenas analisando-a com cuidado.

"Se você e o seu comparsa não quisessem matar a minha esposa, isso não teria acontecido."

Ela não responde de imediato. Apenas me encara, séria, como se estivesse absorvendo cada palavra sem tentar se defender dessa vez.

"Você realmente a ama."

Não é uma pergunta. É constatação.

"Mais do que eu amei alguém em toda a minha vida."

A resposta sai fácil demais, sem esforço, porque é verdade. E, pela forma como ela pisca, como o maxilar dela tensiona levemente, eu sei que aquilo a atinge de algum jeito. Mas eu não tenho interesse nisso. Não mais.

"Vamos logo aos negócios", continuo, direto. "Você disse que, se eu te recebesse e você falasse o que precisa, nos contaria tudo sobre o Jonathan. Você está aqui. Então fala."

Dou um tempo mínimo.

"O que você aprontou, Emily?"

Ela solta a bolsa no sofá com um movimento mais brusco do que deveria, como se estivesse se livrando de um peso, e tenta dar um passo na minha direção. Cássio se move no mesmo instante, bloqueando o caminho dela com o corpo.

"Se afasta."

Ela para, irritada.

"Eu só queria dar um abraço nele."

"Não combinamos nada sobre toque", Cássio responde, firme. "Afaste-se agora."

Por um segundo, eu acho que ela vai insistir. Mas não insiste. Dá um passo para trás, levantando as mãos em rendição.

Eu lanço um olhar rápido para o Cássio, em agradecimento silencioso, e volto minha atenção para ela.

"Não tem mesmo nenhuma chance da gente tentar de novo?", ela pergunta então, a voz mais baixa, mais controlada, mas ainda assim carregada de alguma coisa que eu não compro. "De sermos como antes?"

Eu rio.

Dessa vez, um pouco mais alto.

"O que éramos antes não chega nem perto do que eu tenho agora." Minha voz endurece. "Eu não vou trocar a mulher da minha vida por você."

E é ali que algo nela quebra de verdade.

Não completamente, mas o suficiente.

Ainda assim, não me importo.

"Agora fala", insisto. "Você está melosa demais, grudenta demais… e isso nunca foi você. Então vamos parar de perder tempo."

Ela me encara por alguns segundos, respirando fundo, como se estivesse tentando se recompor antes de continuar.

"Eu não sabia o quanto eu te amava", diz por fim. "Nem o quanto eu sentiria sua falta… até você seguir em frente." Eu não reajo. "Não me culpe por querer de volta a única pessoa que me valorizou."

Eu balanço a cabeça, quase com pena.

"Ainda bem que você sabe disso agora", respondo. "Mas isso deixou de ser problema meu faz tempo." Dou um pequeno gesto com a mão. "Se você veio aqui só pra isso, perdeu seu tempo. Eu já te disse que não existe mais nada entre a gente."

Ela aperta os lábios, visivelmente frustrada.

"Não é isso." ela respira fundo. "Eu preciso da sua ajuda."

Eu cruzo os braços, esperando.

"Preciso de dinheiro… e de um álibi."

Cássio solta um sorriso de lado ao meu lado.

"Aí está o nosso interesse repentino."

Ela ignora, focando em mim.

"Eu me envolvi com pessoas erradas", continua, mais rápido agora. "E alguém fez algo que não devia… e colocou a culpa em mim. Eu preciso desaparecer por um tempo."

"Não posso te ajudar com isso", respondo sem hesitar. "Não vou mentir pra salvar sua pele. Você deveria escolher melhor com quem se envolve."

"Você não está entendendo", ela insiste, dando um passo à frente antes de se conter. "Se eu não fizer isso, eu vou ser presa."

"Você tem dinheiro", retruco. "Tem carreira. Pode pagar os melhores advogados."

Ela solta uma risada sem humor.

"Tinha."

Eu franzo o cenho.

"Perdi tudo", ela continua, a voz falhando pela primeira vez de verdade. "Não tenho mais nada. Nada." Eu observo em silêncio. "Eu preciso que vocês me ajudem", ela insiste. "Se não… eu nunca mais saio da cadeia."

Eu respiro fundo antes de responder.

"Posso indicar advogados", digo, mais controlado. "Gente boa, competente. Mas não vou advogar por você. Não depois de tudo." Minha voz endurece. "Não depois de você tentar matar a minha esposa."

"Não fui eu", ela rebate, rápida demais. "Foi o Jonathan."

Eu solto um riso curto.

"Mas tenho certeza de que você fez o pedido."

Ela se cala e isso é resposta suficiente.

"Então é isso?", ela explode de repente, a irritação voltando com força. "Você não vai me ajudar a me defender?"

"Não." O silêncio cai sobre a sala, e vejo em seu rosto que ela tenta achar uma saída para aquilo.

"Então me dá dinheiro", diz, mais direta agora. "Vinte milhões. Eu preciso pagar as pessoas certas, trocar de identidade… eu preciso sumir."

Eu a encaro, incrédulo.

"Você precisa aprender a assumir as consequências do que faz", digo, firme. "Não transferir isso pra ninguém." Dou um passo leve à frente. "Se você é inocente, um bom advogado resolve."

"Eu sou inocente!", ela grita.

"Então prove."

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