André
Acordo antes do despertador. Por alguns segundos fico parado, olhando o teto, tentando entender por que meu corpo decidiu despertar tão cedo. Então sinto o peso quente ao meu lado e viro o rosto de lado.
Laís está dormindo, de bruços. O lençol cobre apenas metade do corpo dela, deixando a curva perfeita da bunda descoberta. O cabelo espalhado pelo travesseiro, a respiração calma, lenta, tranquila. Uma visão que eu não queria esquecer jamais.
Mordo o lábio.
Como diabos eu tive tanta sorte? Estendo a mão e passo os dedos devagar pelas costas dela. Ela resmunga algo baixo, mas não acorda. Sorrio, e desisto, gostaria de aproveitar aquela vista por mais um tempo.
Meu celular vibra na mesa de cabeceira e bufo, já esperando ser minha mãe de novo. Ela não me deu paz até as 2 da manhã. Acho que entendeu que eu não ligava para o que ela ou a amiga dela estavam fazendo. Não era problema meu.
Quando finalmente olho a tela, solto o ar com força, sabendo que seria mais um dia daqueles. Era uma mensagem do detetive.
Precisamos conversar.
Solto um suspiro baixo. Olho novamente para Laís. Ela continua dormindo profundamente. Por um segundo, penso em acordá-la, mas desisto, ela merece descansar.
Levanto devagar da cama e começo a me vestir em silêncio.
Antes de sair do quarto, pego o celular e digito uma mensagem.
Me encontre no bar do Jere’s. Em frente ao tribunal antigo.
É um lugar discreto. Ninguém presta atenção em quem entra ou sai dali. Perfeito para conversas que não devem ser ouvidas.
Saio do apartamento alguns minutos depois, a manhã ainda está começando a despertar e minha mente já está fervilhando. Preciso dizer para a Laís que no nosso quarto celular não vai ser mais permitido.
O trânsito é leve, o ar frio b**e no rosto quando entro no carro. No caminho, meu celular vibra novamente e olho a tela rapidamente, imaginando ser o detetive, mas não. É minha mãe de novo, com a mesma ladainha de ontem a noite.
Espero que você vá visitar Emily no hospital. Ela está lá por sua culpa.
Solto uma risada baixa, claro que está. Ela quer aparecer e vai fazer de tudo para chamar a atenção. Pena que eu não ligo mais para isso. Ela não vale o meu tempo.
Jogo o celular no banco do passageiro e continuo dirigindo. Quando chego ao Jere’s, o detetive já está lá. Sentado em uma mesa no fundo do bar, com um café preto fumegante.
Ele acena para mim e caminho até ele, sentando-me à sua frente.
"Veio rápido." ele comenta assim que me sento.
"Não estou muito animado com as perspectivas desse caso. Quero resolver de uma vez. Tem vidas demais envolvidas nisso."
Ele concorda, e pega um envelope pardo e desliza pela mesa.
“Foi confirmado.” Meu estômago aperta antes mesmo de eu abrir. “É a Glória.”
Fecho os olhos por um segundo. Que porra. Eu ainda tinha esperanças de não ser. Tinha uma mínima chance de ser apenas uma mulher sem qualquer ligação com o caso do Cássio, mas parece que minhas preces não estavam sendo atendidas.
Quando abro o envelope, vejo as fotos e o relatório preliminar.
“Já sabem quem fez isso?” pergunto. Ele balança a cabeça.
“Ainda não.” Ele se inclina um pouco para frente. “Mas sabemos que provavelmente foi um acerto de contas.”
Levanto o olhar.
“O que quer dizer?”
Ele fala baixo.
“Ela foi torturada.” O ar parece ficar mais pesado. Bufo irritado.
“Isso deixa tudo ainda mais complicado.” Ele concorda com um pequeno movimento de cabeça. “Podem tentar colocar a culpa no Ravelli.” Eu termino a frase. “Ou na Branca.”
O detetive confirma.
“Exatamente.”
Passo a mão pelo rosto.
“Merda! Continue investigando.” Temos que saber o quanto antes quem fez isso. Busque todas as ligações dessa mulher. Procure em todo o passado dela. Ele concorda. “E tente ligar o ex-marido da Branca a esse caso.”
Ele franze a testa.


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