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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 129

Cássio

Fechei a porta do quarto de Aelyn com o máximo de cuidado, como se qualquer ruído pudesse estilhaçar o que restava de normalidade na casa.

“Fica aqui com a Branca. Eu já volto.”

Aelyn assentiu, ainda confusa, os bracinhos apertados na cintura da Branca como se soubesse, no instinto infantil, que o ar tinha mudado de repente. Ela não perguntou mais nada. Só se encolheu mais contra o peito dela.

Assim que a porta encostou, o corredor pareceu encolher.

Uma vontade absurda, primitiva, subiu pela garganta.

Eu queria socar a parede até os nós dos dedos sangrarem. Queria gritar até a voz falhar. Queria atravessar a cidade, encontrar Jonathan e enfiar a cara dele no chão até ele entender que havia limites que não se cruzam.

Meu maxilar travou com tanta força que doeu. Os punhos fecharam sozinhos, as unhas cravando nas palmas.

Como aquele filho da puta tinha coragem?

Invadir minha casa.

Observar minha filha brincando no quarto.

Fotografar Branca na cozinha, sorrindo enquanto cortava frutas, achando que estava segura.

Fotografar os nossos momentos. Como se isso fosse um reality show ao seu bel-prazer. Não. Eu não ia aceitar isso. Não quando tudo dentro da minha casa era puro demais para uma pessoa como ele.

Ele tirou tudo isso dela. De nós. Transformou memória em ameaça.

Puxei o celular do bolso com as mãos tremendo de raiva. Liguei para André.

Ele atendeu no segundo toque.

“Fala.”

“Ele está nos vigiando.” Minha voz saiu baixa demais, controlada demais, como se eu estivesse segurando uma granada pelo pino. “Acabou de mandar uma caixa cheia de fotos. De todos os ângulos do apartamento. De dentro. Pela varanda. Pela sala. Pelo quarto da Aelyn.”

Silêncio do outro lado.

“Fotos de dentro?”

“De fora também. Acho que fez de drone. Ou câmeras. Ou os dois. Não importa. Ele está vendo tudo.” Engoli seco, a bile subindo. “Ele fotografou quando eu pedi ela em casamento. Ele estava lá, André. Assistindo.”

A respiração dele mudou. Ficou pesada. Furiosa.

"Você pediu minha irmã em casamento?" ele falou tenso.

"Pedi, e ela falou sim. Agora foca no caralho do problema." ele bufou.

“Aquele filho da puta. Eu vou ver o que consigo fazer.”

Comecei a andar pelo corredor, incapaz de ficar parado. Passos curtos, rápidos, como um animal enjaulado.

“Eu vou matar ele, André. Escuta o que eu estou te dizendo. Se ele aparecer na minha frente, eu acabo com ele.”

“Não fala isso.”

“Eu estou falando sério. Eu não consigo respirar direito pensando que ele pode estar olhando pra minha filha agora mesmo.”

A voz de André mudou. Ficou fria, afiada como lâmina.

“Eu estou indo pra aí. Vamos tirar vocês daí. Um lugar mais isolado, com segurança 24 horas. Já entrei com o mandado de restrição renovado e com pedido de prisão preventiva. A delegada do caso antigo da Branca já sabe o histórico dele. Ela vai acelerar. Mas precisamos ser rápidos.”

Parei no meio do corredor, encostei a testa na parede fria.

“Só acha ele, André.” Minha voz saiu mais baixa agora, mais perigosa. “Eu resolvo o resto.”

“Não.”

“Eu quero me encontrar com ele de novo. Cara a cara. Sem advogado, sem câmera. Só eu e ele.”

“Não.”

“Esse filho da puta vai entender o que é mexer com a minha família.”

Do outro lado da linha, André respirou fundo, como se estivesse se segurando também.

“Você precisa manter a calma.”

129. Minha decisão 1

129. Minha decisão 2

129. Minha decisão 3

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