Laís
Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia ouvir. Eu tinha acabado de beijar o André. Meu chefe. O irmão mais velho da Branca. O homem que eu via quase todo dias, sempre sério, sempre controlado, sempre fora de alcance.
E agora a boca dele ainda estava úmida da minha.
Merda. Merda. Merda.
Eu falei que a noite tinha acabado de começar, mas... meu Deus, e agora?!
Forcei um sorriso, aquele sorriso fácil que eu usava no tribunal quando precisava disfarçar que estava suando frio. Me afastei só o suficiente para olhar para ele, fingindo que meu corpo não estava tremendo inteiro.
André me observava com atenção demais. A mão dele ainda estava na minha cintura, quente, firme. Ele sentiu. Claro que sentiu. O homem lia gente como se fossem processos.
“Eu fiz alguma coisa errada?”, perguntou baixo, a voz rouca.
Neguei rápido, balançando a cabeça.
“Não. Não fez.” Engoli em seco. “Eu só… acho que a bebida e a euforia falaram mais alto do que deviam.”
Ele riu de lado, aquele riso curto, quase tímido, que eu nunca tinha visto nele fora do fórum. O som vibrou no meu peito.
“Não tem problema uma noite só a gente ser nós mesmos.”
As palavras dele caíram como um convite perigoso. Eu ri também, nervosa, e ergui meu copo.
“Então… à gente ser só nós mesmos por uma noite.”
Batemos os copos. Bebemos olhando um pro outro. O segundo gole desceu mais fácil. O terceiro, mais quente.
Ele se inclinou de novo e me beijou. Dessa vez sem hesitar. A boca dele tomou a minha com calma, mas com uma fome controlada que me fez apertar os dedos na camisa dele. A língua dele roçou a minha devagar, como se estivesse aprendendo meu gosto. Uma das mãos subiu pela minha nuca, segurando meu cabelo com firmeza gentil. A outra desceu até a base das minhas costas, me puxando mais contra ele.
Eu me derreti.
Nunca tinha sido beijada assim. Como se ele tivesse todo o tempo do mundo e, ao mesmo tempo, como se estivesse morrendo de vontade de me devorar.
Quando nos afastamos, eu estava sem ar.
“Laís…”, ele murmurou, a testa encostada na minha.
Eu não deixei ele terminar. Beijei ele de novo. E de novo. E de novo. Até a música virar só um ruído distante e o mundo se resumir ao gosto dele, ao calor das mãos dele na minha cintura, ao jeito como ele gemia baixinho quando eu mordia de leve o lábio inferior dele.
Em algum momento decidimos ir embora. Não lembro quem sugeriu primeiro. Só lembro de entrar no carro dele, da mão dele na minha coxa durante o trajeto inteiro, dos dedos traçando círculos preguiçosos na pele exposta pelo vestido.
Quando ele parou em frente ao meu prédio, eu não desci.
Virei para ele, o coração martelando.
“Já cruzamos a linha”, falei, voz baixa. “Não quer ver aonde isso vai dar?”
Ele não respondeu com palavras.
Me puxou pelo pescoço e me beijou com tanta possessividade que eu soltei um gemido involuntário contra a boca dele. O beijo foi urgente, molhado, quase bruto. A mão dele apertou minha nuca, a outra segurou minha coxa, puxando minha perna por cima do câmbio e me sentando direto no seu colo. Sem membro, já estava duro.
“Não vai se arrepender?” ele disse contra meus lábios, voz rouca.
“Não.”



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