Tainá congelou. Ele tinha mesmo dito... "Tá bom"...
Contudo, ela sabia perfeitamente que aquele "Tá bom" era direcionado a Natália.
Era a prova de que ele havia renunciado aos próprios limites, quebrando as barreiras do relacionamento por contrato com ela, tudo por causa de Natália.
Naquela época, haviam estabelecido três regras básicas: em público, o máximo que fariam era entrelaçar os braços, passando a imagem de um casal, mas que no fundo, era apenas um contato "por educação".
E agora ele dizia... "Tá bom"...
Os olhos de Tainá se arregalaram, a sua garganta doeu ao observar Mário abrir os braços e se inclinar na sua direção.
Ela não tinha como fugir e, acima de tudo... não queria fugir...
Se era para falar de fraqueza, a dela superava, e muito, a de Natália.
No segundo seguinte, Tainá caiu nos braços do homem.
Tal como ela imaginara, era caloroso, confiável, seguro e imponente.
Além de carregar o cheiro dele.
No entanto... Tainá percebeu outro tipo de frieza.
Porque, sob a perspectiva de Natália, eles estavam abraçados.
Mas, na pele, ela sentia que era um gesto polido, distante e repleto de barreiras.
Não era um abraço colado...
Aquele abraço educado... era algo... que qualquer um poderia receber...
Até mesmo Dona Maria.
Tainá viu Natália sorrir para ela; a amiga não fazia a menor ideia, apenas achava inocentemente que os dois tinham um amor verdadeiro.
Tainá não aguentou e também sorriu.
Ela mesma havia escolhido ser aquele escudo, então o que Natália tinha a ver com isso?
Instantes depois, Mário se afastou.
Tainá sequer teve tempo de segurar a borda de sua camisa.
Em seguida, ele se voltou para Natália.
Natália abriu um sorriso e comentou:
— Que lindo.
Mário soltou um sorriso discreto e não disse mais nada.
Quando Natália terminou de comer, Mário virou-se para Tainá e perguntou:
— Vamos?
Tainá assentiu.
Ambos se levantaram, e Mário não esqueceu de alertar Natália:
— Não se esqueça de ir ao hospital.
Natália concordou com a cabeça:
— Vou levá-los até a porta.
Mário não a impediu.
Mas, ao chegarem na porta da sala principal, disse:
— Está frio lá fora, não precisa passar daqui.
Natália se despediu:

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