Ao ouvir isso, Mário franziu a testa:
— Não. Você tem que ir ao hospital. Vai que é outra coisa. Não deixe piorar e prejudicar ainda mais a sua saúde.
Natália apertou os lábios:
— Uhum, eu vou ao médico. Mas não vou tomar o tempo da Tainá. Posso ir sozinha, de forma tranquila. Aproveito para caminhar um pouco, vai me fazer bem. E esta noite, não irei ao funeral.
Mário ponderou:
— Para que iria se a sua voz já sumiu? Fique em casa e descanse. Passar noites em claro por vários dias não faz bem para o corpo de ninguém.
Natália suspirou discretamente:
— Certo.
Os dois continuaram conversando assim, com uma troca natural que carregava uma atmosfera indescritível.
Tainá finalmente não conseguiu se segurar, seus olhos ficaram vermelhos e as lágrimas rolaram.
Ela ia inventar uma desculpa para sair, mas não esperava que Natália percebesse.
Natália ficou surpresa e indagou:
— Tainá... O que... O que houve com você?
Tainá sentiu-se extremamente exposta, enxugando as lágrimas às pressas:
— Não foi nada, eu só...
Mas quanto mais ela tentava falar, mais as lágrimas insistiam em cair.
Ela tentou inventar uma desculpa esfarrapada:
— Um cílio... caiu no meu olho.
Natália claramente não acreditou; desde quando um cílio no olho deixava alguém naquele estado?
Natália olhou para Mário com suspeita:
— Vocês dois brigaram? Você foi grosso com a Tainá?
A pergunta pegou Mário totalmente desprevenido.
Ele desviou o olhar para Tainá.
Tainá se apressou em justificar:
— Juro que não. Foi mesmo um cílio que caiu no olho.
Dito isso, levantou-se:
— Vou ao banheiro dar um jeito nisso.
Tainá saiu às pressas, e Natália voltou o olhar para Mário.
Com o cenho franzido em suspeita, seu olhar era quase de escrutínio.
Mário respirou fundo e soltou um suspiro inaudível. Ergueu as mãos lentamente, o pomo de adão subindo e descendo, com a voz grave e um tanto engasgada:
— Eu juro que não briguei com ela, não fui grosso e muito menos a deixei irritada.
Natália ficou estática, sendo invadida por uma sensação indescritível que a percorreu de súbito.
O tom de voz de Mário, a sua atitude e o seu semblante exalavam uma doçura profunda.
Havia também aquele olhar, que ocultava uma ternura tão densa que jamais poderia ser dissolvida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de um Amor Que Você Matou