Essa firme convicção fez os pelos da nuca de Tainá se arrepiarem.
— Continua inventando histórias — Mário mantinha o olhar calmo, fumando de forma relaxada.
Embora em alerta máximo, Tainá manteve a farsa:
— Inventar o quê? Que histórias? O que você está...
— Acha mesmo que eu não conseguiria investigar? — cortou Mário.
A boca entreaberta de Tainá fechou-se no mesmo instante.
Ela sabia muito bem que ele não teria qualquer dificuldade em descobrir!
Mesmo que Natália tivesse alterado o prontuário.
Afinal, seria ingênuo acreditar que um homem astuto como Mário confiaria cegamente em um registro médico ou na primeira versão de um doutor.
Sabia da capacidade dele, contudo, não imaginava que, após questioná-la na noite passada, ele conduziria uma investigação sigilosa.
Acreditou que o havia despistado com sucesso.
Havia subestimado a intuição formidável dele.
Se alguma dúvida cruzasse a mente dele, ele não se deixaria enganar apenas por algumas palavras evasivas.
Porém...
Ele... ele também podia estar forçando uma confissão baseada em blefe!
Esse homem era extremamente ardiloso e jamais agia de maneira previsível.
Recuperando o controle com esse pensamento, Tainá interpelou:
— E o que você descobriu? Por que insiste que Natália...
— Tainá. — Mais uma vez, Mário a interrompeu.
Aquele único chamado por seu nome fez Tainá engolir a réplica, inexplicavelmente silenciada.
Ambos ficaram se encarando.
— Preciso jogar a receita dos medicamentos de manutenção da gravidez na sua cara? — prosseguiu ele.
Aquela frase dita com tanta serenidade fez o corpo inteiro de Tainá retesar.
Ela não conseguia discernir se Mário estava blefando ou se já detinha os fatos.
Seria pela ligação de agora há pouco?
Mas, pelo que ouviu da parte dele, o diálogo da chamada parecia se referir apenas a assuntos profissionais comuns.
E quando mencionou a camada extra de criptografia... soava como algo de trabalho, não?
Em assuntos corporativos, a criptografia é sempre essencial.
Por isso, Tainá continuava num impasse sobre confessar ou não.
Entretanto, fizera um pacto de silêncio absoluto com Natália...
Não trairia a confiança da amiga.
Com isso em mente, argumentou:
— Que medicamentos, Sr. Mário? Precisa mesmo usar essas artimanhas para me arrancar algo? Não vai adiantar nada bancar o espertinho. Esse papo de gravidez e medicação não passa de uma piada sem sentido. Se não confia em mim, vá em frente e investigue de verdade. Mas chega a ser cômico você insistir que ela engravidou, quando o que houve foi apenas um desmaio pelo estresse emocional. E mesmo que, por hipótese, ela estivesse grávida, o que isso importaria para você?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de um Amor Que Você Matou