Ao cruzar os olhos com os de Natália, Sérgio sofreu um estranho momento de asfixia.
Em suas memórias, ela parecia nunca ter estado tão abatida e frágil.
Ela era sempre iluminada, disposta a agradar e impecável à sua frente.
Fora a primeira vez que via a maquiagem impecável no rosto de Natália parecer ser... mera ilusão.
De repente, as palavras prévias de Ximena Reis vieram-lhe à mente. "Dores intestinais, ou... gravidez?"
A ideia obscureceu-lhe mais a expressão. Ele não hesitou em levantar os braços, ostentando uma doçura que jamais evidenciara e da qual nem se dava conta:
— Nati, vamos para o hospital.
A proposta não caiu bem a Natália. Suas pupilas estreitaram-se e ela interveio logo:
— Não precisa.
Sérgio vacilou em choque, surpreendido pela recusa sumária dela.
Como ela rejeitara seu socorro, não havia sentido num fingimento de desmaio.
Se estivesse simulando, não lhe pediria para carregá-la imediatamente para ser tratada?
Natália debatia-se na tensão no momento. Sabia que necessitava urgente de ajuda médica.
Percebia que seu corpo não estava em ordem. Ela temia imensamente pelo seu bebê.
Mas seguir com Sérgio ao hospital estava fora de questão.
Ainda não ambicionava permitir a Sérgio saber sobre a sua gravidez, sobre o seu próprio filho.
Nisto, Mário virou-se a Sérgio e disparou:
— Natália não requer seus cuidados. Nós vamos ajudá-la.
Natália deu-se conta então de que repousava sobre os braços de Mário.
Ela apontou os olhos para Mário, mas impediu seus pés de iniciarem a caminhada:
— Mário Junqueira, ponha-me no chão.
O pedido forçou Mário a abortar silenciosamente o avanço dos passos. Abaixou a cabeça:
— Hum?
Havia nele resquícios da mesma surpresa anterior.
Talvez ele cismasse no porquê dela tomar atitudes drásticas nestas condições caóticas.
Ou quem sabe... perante todo o terror em que mergulharam há pouco, sendo ele aquele que arrombara as defesas para preservá-la nos ataques frontais, tudo caísse de ladeira abaixo num reajuste brusco de fronteiras ao dar de caras com Sérgio?
O semblante franzido de Natália, no entanto, sequer teve oportunidade de emitir um suspiro. Mário ecoou:
— Sim.

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