A paciência de Mário havia se esgotado por completo. Seu rosto outrora sereno agora assumia uma expressão densa e opressiva. Declarou com tom autoritário:
— Divorciar-se ou não deixou de ser uma escolha sua! Se não assinar hoje, você não sai da Mansão Junqueira!
Com essas palavras, sacou o celular.
Sérgio silenciou-se, encarando-o com uma indiferença gélida.
Ali estavam dois homens imponentes em um confronto direto.
Os ânimos estavam prestes a explodir, as trocas de olhares ardiam de intensidade.
Mário falou ao celular:
— Mande o diretor do departamento jurídico vir até a Mansão Junqueira.
Após encerrar a chamada, ele virou-se para Sérgio, o rosto marcado pela impaciência e por um tom de crueldade:
— Deixarei claro de uma vez: se não assinar a petição de divórcio, não passará por aquela porta.
Sérgio deu uma risada de desprezo:
— O Sr. Junqueira já alcançou um nível de poder tamanho a ponto de cercear as liberdades individuais?
Mário ignorou o comentário.
Sérgio continuou:
— Então é isso que você quer? Guerra comercial? Esmagar-me diretamente e me usar a ameaça de falência?
Mário replicou com impaciência:
— Tente a sorte.
Sérgio indagou:
— Tem mais algum truque na manga?
— Não sobrou mais nada, não é? — Sérgio exibia uma face despreocupada. — Além de ameaçar com falência para me forçar a assinar, o Sr. Junqueira tem outra estratégia?
— Você não poderia me prender, me espancar, me torturar, poderia? — Ele olhou para Mário, aparentemente argumentando consigo mesmo. — Fizemos um juramento na juventude, de que nunca levantaríamos as mãos contra os nossos amigos, e nunca deixaríamos que as brigas nos tornassem inimigos declarados.
Mário ponderou:
— Você extrapolou todos os limites.
Mas Sérgio permaneceu sem temor e disparou:
— Como assim extrapolei? Onde eu errei? Fui infiel? Exigi divórcio para descartar minha esposa? Ou armei algum tipo de esquema vil, ou talvez não mudei minha conduta?

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