— Mário! — Natália repreendeu, entredentes. — A questão aqui não é pegar pesado! Você sabe o que está dizendo? O que... O que diabos está acontecendo? É bom que você me conte tudo.
Mário acendeu um cigarro, virando o rosto para tragar lentamente, e não conseguiu evitar a provocação:
— Quando o Sérgio era um desgraçado com você, por que... você não esganou ele? Tinha pena?
Natália massageou a testa:
— Caro Sr. Junqueira, são duas coisas completamente diferentes, certo? Ele foi um desgraçado porque não me amava, porque me tratou mal, mas nunca me traiu.
— Se ele tivesse me traído, a história seria outra. Mas você... O que você fez para decidir casar com outra pessoa de uma hora para outra? Como fica a Tainá nessa história? Você já conversou com ela?
Natália estava genuinamente aflita.
Mas Mário permaneceu em silêncio.
A ausência de respostas fez Natália parar e se perguntar se não havia se excedido na reação.
Ela só pensava em defender a amiga, esquecendo-se momentaneamente de que Mário também era um amigo de infância de quem ela gostava muito.
Após um breve momento de reflexão, Natália suspirou e suavizou o tom de voz:
— Mário, fala sério, o que está acontecendo? Você caiu em alguma armadilha? Qual é a situação dessa mulher? Ela está exigindo casamento? Não tem outro jeito de resolver isso? Logo você, que dá jeito em tudo, não consegue lidar com essa situação?
Enquanto perguntava, ela já tentava bolar possíveis soluções para o problema.
Mário continuava em silêncio. Era óbvio que não tinha como explicar aquilo.
Foi justamente por isso que ele havia hesitado tanto antes de fazer a ligação.
Ele mesmo não sabia o que estava buscando com tudo isso.
Uma despedida?
Uma lembrança?
Ou o quê?
Definitivamente, não era um teste, mas...
O que era, de verdade, ele não fazia a menor ideia...
Não sabia por que estava ligando nem por que falara tudo aquilo.
Após um longo silêncio, Mário finalmente falou:
— Esquece isso. Apenas me diga: se eu casar, não importa com quem seja, você... fica feliz?
Natália estranhou, arqueou a sobrancelha e depois franziu a testa, respondendo:
— Claro que eu fico feliz. O casamento de um grande amigo é sempre motivo de alegria. Era só isso que você queria perguntar?
Mário apagou o cigarro:
— Só perguntei por perguntar.

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