A expressão de Sérgio fechou-se ainda mais. Seu olhar passou, propositalmente ou não, pelo pulso dela, enquanto a raiva borbulhava em seu peito.
Ele estava com raiva, de fato.
Fazia tantos dias, e Natália continuava distante, nem quente nem fria.
Contudo, ao vê-la daquele jeito, de olhos baixos, a achou comovente e vulnerável.
Sérgio engoliu a raiva, estendendo a mão para acariciar-lhe o rosto.
— Se está cansada, descanse.
Dito isso, virou-se e afastou-se.
No fundo, ele sentia uma profunda frustração.
Não sabia mais como agradá-la. Já tinha feito tudo o que devia e até lhe comprado presentes.
E mesmo assim, ela continuava agindo daquela forma.
Estava completamente diferente de antes!
Parecia que, por mais que ele se esforçasse, ela jamais voltaria a tratá-lo como antigamente.
Não tinha a menor ideia do que mais poderia fazer.
O pavor de que ela nunca voltasse a ser como antes lhe causava uma imensa sensação de derrota.
Um fracasso sem precedentes.
Natália observou as costas dele, franzindo levemente a testa. Não era que ela não pudesse voltar a ser a mesma de antes, mas sim que ainda tinha medo.
Várias vezes sentira vontade de jogar tudo para o alto e começar do zero.
Mas conteve-se todas as vezes.
Foi exatamente por causa dessa hesitação que decidiu esperar mais um pouco...
Após fazer sua higiene, Natália deitou-se na cama. Sérgio ainda estava no banheiro.
Ela segurava o colar, observando-o em pensamento por um bom tempo.
Nunca imaginara que Sérgio lhe daria um presente daqueles, ainda mais por um preço tão absurdamente inflacionado.
Após fitá-lo por mais um instante, guardou o colar.
Decidiu que contaria a ele sobre a gravidez assim que saísse do banho.
Pensando nisso, levou a mão instintivamente ao ventre, perguntando-se se Sérgio ficaria feliz.
Muito feliz?
Logo depois, Sérgio saiu.

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