— Quer que eu tente? — Marcelo não aguentava mais ver aquilo e já estava ficando agoniado.
Tainá disparou: — Credo, por que a pressa? Ele nunca pôs um relógio no braço de outra pessoa na vida, é natural que esteja um pouco destreinado.
Mal ela havia terminado de falar e Mário acabou de fechar o relógio no pulso de Natália, dizendo: — Pronto.
Natália ergueu o braço para admirar; como esperado, era realmente lindo.
Fernanda exclamou de encanto: — Uau, maravilhoso, veja só isso!
E aproximou-se para analisar a mão de Natália de perto.
Tainá, é claro, também foi se juntar e dar a sua opinião.
Marcelo riu, oferecendo um cigarro a Mário.
Mário o pegou e disse: — Vamos fumar ali pro lado.
Logo se virou e andou até uma grande árvore mais adiante. Marcelo acompanhou.
Sob a sombra da árvore, os dois acenderam os cigarros, observando as três conversarem e rirem perto da cerca próxima à ribanceira enquanto examinavam o relógio.
Marcelo soltou uma baforada, virando o olhar para Mário: — O leilão foi há três anos? Como é que você pensou em comprar um modelo feminino?
Mário respondeu com naturalidade: — Achei bonito e comprei na hora.
Marcelo ergueu as sobrancelhas; não disse mais nada, e nem fez outras perguntas.
Mário baixou os olhos e bateu a cinza do cigarro. Ao longo daqueles anos, ele havia arrematado uma infinidade de itens em leilões, todos eles... pensados para Natália.
Mas... não os conseguia dar.
Porque o valor deles não era pouco.
E as peças baratas ele nem se interessava.
Então, ficavam todos guardados; por sorte, hoje tinha tido uma desculpa para presentear um.
Mário fitou Natália. Sob a luz da noite, a sua silhueta ali parada era de uma beleza deslumbrante.
Ele se distraiu a observando.
No cofre do quarto dele, o cômodo inteiro transbordava com joias compradas pensando nela.

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