Como ambos haviam deixado os celulares na sala...
Natália estendeu a mão para atender.
Sérgio também tentou pegar o telefone.
Nos dois criados-mudos da cama havia telefones interligados.
Mas Natália foi mais rápida, atendeu com um "Alô", e do outro lado uma voz soou:
— Natália?
Imediatamente, o nariz de Natália formigou de vontade de chorar.
Era a voz de Mário Junqueira.
Por alguma razão, foi a primeira vez que a voz de Mário lhe transmitiu tanta segurança.
Talvez por ela ter acabado de passar por um jogo quase suicida.
— Sim, precisa de alguma coisa? — Natália controlou as emoções e perguntou.
Enquanto falava, desviou o olhar para Sérgio.
Sérgio não desligou; continuou segurando o fone no ouvido.
Mário comentou:
— Liguei pro seu celular e ninguém atendeu, por isso liguei pro quarto. Está sozinha aí? Onde está o Sérgio?
Natália ficou em silêncio.
Sérgio também.
Mário acendeu um cigarro:
— Hoje é o primeiro dia da Melissa morando aí. Estão muito ocupados fazendo sala pra ela?
Ao ouvir aquilo, Sérgio ficou furioso.
Fazendo sala uma ova!
Ele passou a manhã inteira sendo humilhado em casa!
Punido pela mãe, escorraçado pela mulher.
Estava explodindo de raiva!
Mas continuou calado.
Afinal, a ligação era para Natália.
Natália também perguntou:
— Quer falar com o Sérgio?
Mário bateu a cinza do cigarro, deu uma risada leve, e respondeu em tom de deboche:
— Falar com ele pra quê? Não tenho nada pra conversar com ele.
O rosto de Sérgio, que já estava sombrio, escureceu ainda mais.
Mário continuou:
— Quero falar com você.
Nessa frase, a sua voz suavizou nitidamente.
Sérgio olhou para Natália.

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