Dez anos de amor, e daí?
Nem nessa aposta ela tinha coragem... de apostar de verdade...
Chegou a pensar naquelas bravatas, perguntando se Sérgio tinha coragem, e no fim, quem não tinha era ela mesma...
Bruscamente, Natália arrancou-se daquele delírio de apostadora encurralada. Ela estendeu as mãos, agarrando com força o pulso de Sérgio e disse:
— Me solta!
Embora pequenas, as suas mãos estavam incrivelmente fortes naquele momento.
Sérgio ficou atônito.
O abismo em seus olhos dissipou-se devagar, ele parecia, até mesmo, confuso, sem compreender.
— O que foi? — A voz dele soava rouca, ainda sob os efeitos da emoção da qual não se desvencilhara por completo.
Ainda imerso no momento, inclinou-se para beijar o ouvido de Natália e, pela primeira vez na vida, fez uma pergunta que nunca tinha dirigido a ela antes:
— Está desconfortável?
Aquela devia ser a primeira vez que ele genuinamente se interessara pelos sentimentos de Natália.
Com os olhos ardendo, Natália manteve o controle sob a mão dele para que ele não se movesse, e disse:
— Me solta e levanta.
Se há um instante Sérgio ainda estava disposto a perguntar sobre os sentimentos dela, neste momento... começou a sentir um aborrecimento sem sentido e uma irritação crescentes.
Era a segunda vez.
Sérgio, com a voz grave e sem afrouxar o contato, disse entredentes, reprimindo a fúria:
— O que há com você? Há um segundo atrás tudo estava perfeito e de repente você surta. O que foi, está cada vez mais inconstante? Não me quer mais?
Ele também fizera, pela primeira vez, uma pergunta do tipo: "Não me quer mais?".
No passado, ele não possuía nenhum "interesse" ou motivo para dirigir essas palavras a Natália.
Uma vez que Natália sempre cedia com entusiasmo e expectativa.
Contudo, agora, a flecha estava na corda e Natália recuara.
E então, ele questionou.
Ele não tinha a mínima ideia do porquê perguntara aquilo, talvez fosse porque ansiasse loucamente por ela, ou talvez porque dessa vez ela estava insuportável e ele queria apaziguar a relação e acalmar os ânimos através daquele ato.
No fim, um pouco dos dois.
Ele achava que, após verbalizar aquilo, Natália cederia com gosto, que o desejaria perdidamente, da mesma forma como sempre foi.
Acreditava que ela só estava fazendo pirraça.
Mas quem poderia prever, depois de ele dizer tudo aquilo, que Natália continuasse mantendo as mãos seguras as dele e determinasse:
— Levanta e sai.
Somente então Sérgio percebeu que ela não estava fazendo pirraça, era sério.

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