Natália desviou o olhar, mas um nó incontrolável na garganta trouxe uma pontada de dor.
Isabel Horta sempre fora quem melhor a tratava, e, no fundo de seu coração, Natália realmente a considerava como uma segunda mãe.
Diante de toda aquela situação, Isabel só havia aparecido agora.
Logo ao chegar, teceu elogios a ela, mas o que trazia nas mãos eram presentes para uma mulher grávida.
Pena que aqueles presentes não eram para ela.
Natália não conseguiu evitar o pensamento de que, se Isabel soubesse que ela também esperava um bebê...
A quem Isabel daria... mais amor?
Ao pensar nisso, seus olhos arderam um pouco mais, mas ela manteve a expressão serena, até mesmo curvando os lábios em um sorriso.
Porque Isabel vinha em sua direção, com o rosto iluminado de alegria.
Ela não poderia retribuir com frieza.
Afinal, ela já havia estabelecido suas condições com Sérgio.
Se Sérgio estava disposto a apanhar e se ajoelhar de bom grado, ela também precisava manter a sua dignidade.
As condições foram acordadas e aceitas, então... precisava aceitar as consequências da própria aposta.
Isabel se aproximou, sem diminuir o sorriso, e estendeu a mão com carinho:
— Nati.
Natália forçou um sorriso:
— Mãe, a senhora chegou.
Isabel a observou com atenção e assentiu:
— Sim, vim dar uma olhada.
Natália concordou com a cabeça, mas permaneceu em silêncio.
Isabel estendeu a mão, afagou seus cabelos e disse num tom sério:
— Nati, a mamãe já sabe de tudo. A situação da Melissa é peculiar, deve estar sendo... muito difícil para você. Eu sei que você tem o melhor dos corações e que é quem mais... ama o Sérgio. Tudo o que você tem feito por ele, no fundo... ele também reconhece.
Sem saber o motivo, Natália sentiu de novo aquela vontade dolorosa de chorar na garganta, acompanhada de uma onda de náusea.
Quase não conseguiu conter o enjoo, forçando-o goela abaixo com muito custo, o que fez seu rosto empalidecer de imediato.
Isabel perguntou apressada:
— O que foi, Nati? Não está se sentindo bem? Ou está... chateada? Triste?
Era uma pergunta difícil de responder. Natália balançou as mãos, inventando uma desculpa:
— Não é nada, acho que tomei um pouco de vento de manhã.
Isabel soltou um suspiro:

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