Afinal, Natália não gostava de Mário.
Ela com certeza a ajudaria a alcançar o que queria, considerando o quanto eram unidas, praticamente irmãs.
Pensar nisso fez o choro de Tainá se tornar ainda mais desolador.
Sim, sim! Ela iria implorar a Natália! Iria implorar para que fizesse esse favor por ela!
Natália com certeza a ajudaria, sem dúvidas!
No entanto, por mais que pensasse nisso desesperadamente, por mais que desejasse correr até Natália naquele exato segundo, ajoelhar-se e implorar aos prantos...
Seus pés simplesmente se recusavam a mover-se um centímetro sequer.
Ela desejava tanto, do fundo do coração, ir até Natália e suplicar!
E era justamente por saber disso que o colapso de Tainá só aumentava.
Até que...
Mário entrou na adega.
O homem parecia estar envolto em uma aura gélida enquanto se sentava, calmo e imponente, de frente para ela.
Tainá o encarou com os olhos embaçados e, subitamente, sentiu que sua aparência estava deplorável, apressando-se em desviar o olhar para o chão.
Mário não disse nada logo após se sentar; em vez disso, colocou a caixa de lenços que trouxera na mesa à frente dela.
O álcool já dominava a cabeça de Tainá, assim como a sua teimosia, e foi ela quem falou primeiro: — V-você não vai conseguir me impedir.
Ela falava enquanto balançava a cabeça negativamente e continuava a derramar lágrimas.
Mário apenas a observava em silêncio.
— Nem eu mesma consigo me impedir. — choramingou ela novamente.
Seu sofrimento era palpável.
Instantes depois, Mário puxou um lenço da caixa e estendeu para ela.
Tainá aceitou.
Só então Mário se pronunciou: — Eu já disse. Se eu não puder impedi-la, então não impedirei.
Tainá ergueu os olhos bruscamente e cravou o olhar nele.
Mário retribuiu o olhar com extrema serenidade e continuou: — Se esse é o preço que devo pagar, não me importo. Eu o suportarei.
Aquelas palavras fizeram Tainá apertar o lenço com força. Uma confusão imensa inundou sua mente.
Não a impediria?
Mas...
Mas ele claramente tinha o poder de impedi-la!
Ele poderia silenciá-la com dinheiro, com troca de interesses, ou, pior, através do medo.
Ele poderia ameaçá-la abertamente e intimidá-la.
Poderia até mesmo dizer de forma direta que, se ela abrisse a boca para Natália, a família de Tainá perderia qualquer chance de se manter de pé na Cidade A.
Ele podia fazer tudo isso.
Ele tinha poder de sobra para tal.
Poderia esmagá-la facilmente.

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