Ela tentava se forçar: "Fale, fale, fale!"
Mas...
Ainda assim...
A frase não saiu.
Ao vê-la daquela maneira, Mário franziu ligeiramente o cenho:
— O que foi?
Sua voz continuava suave, ele continuava exalando uma beleza arrebatadora e a presença esmagadora que sempre tivera.
Apenas sentado ali, embora parecesse em paz, emanava uma aura que mantinha todos a uma enorme distância.
Tainá, por fim, baixou os olhos, depois voltou a erguê-los com um sorriso:
— Nada.
Ele pareceu momentaneamente confuso, mas logo perdeu o interesse.
Limitou-se a responder:
— Ah.
E desviou o olhar.
Tainá ficou de pé e, no momento em que daria um passo, um pensamento lhe veio à mente.
E se... ela fingisse cair?
Mário iria segurá-la, abraçá-la ou tentar ampará-la?
Até mesmo... que fosse apenas por reflexo.
Sem qualquer outro sentimento envolvido.
O pensamento, contudo, sumiu quase de imediato, e ela logo o descartou.
Não.
Seria humilhação demais.
Não achava que sairia vitoriosa nessa aposta.
Talvez tivesse até certeza de que perderia.
Se Mário não demonstrasse sequer aquele mínimo instinto, o que se espatifaria no chão quando ela caísse não seria apenas seu coração.
Seria também o seu orgulho e sua dignidade.
A verdade é que não se atrevia a arriscar por saber que as chances eram esmagadoramente contra ela. Era uma aposta onde a derrota era certa.
Tainá pegou um roupão em um cabideiro próximo e se envolveu nele, ocultando as formas sensuais do biquíni.
Só então sentiu o coração um pouco mais leve.
Olhou para a direção de Natália e dos demais, caminhou até a beira d'água, mergulhou apenas as pernas e se juntou ao papo.
Seu desejo original era simplesmente ir embora dali, para poder chorar um pouco sozinha.
Porém, deu-se conta de que nem mesmo o direito de partir lhe era concedido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de um Amor Que Você Matou