— O que é isso, o que está acontecendo aqui? — questionou Marcelo de imediato.
Mário lançou um olhar para Caio.
Caio abaixou a arma e baixou os olhos obedientemente.
— Se eu não te considerasse um irmão, você já teria sumido do mapa há muito tempo. — disse Mário, encarando Sérgio com um olhar calmo, exibindo um sorriso carregado de escárnio logo depois.
Aquelas palavras engasgaram Sérgio, deixando-o sem qualquer possibilidade de retrucar.
Ele ficou em silêncio, apenas encarando Mário com um olhar questionador e analítico.
— Você acha que só a você é permitido cuidar da Melissa Mendes, mas ninguém pode cuidar da Natália? Do mesmo jeito que você trata a Melissa, não tem o direito de criticar a forma como os outros tratam a Natália. — acrescentou Mário implacável.
Sérgio continuou calado, observando Mário por um longo tempo.
Mário, naturalmente, também não recuou nem um milímetro.
Os dois mantiveram aquele contato visual intenso e desafiador.
— Certo. — Após um momento, Sérgio acenou com a cabeça.
Ao terminar de falar, ele lançou um olhar para Natália, parecendo que queria dizer algo, mas no fim não disse nada e virou as costas para ir embora.
Sua silhueta ao se afastar parecia fria, inflexível e, inegavelmente, repleta de fúria contida.
A sensação de tensão extrema finalmente cedeu lugar à calma e ao silêncio.
Natália observou as costas de Sérgio se distanciando...
Ela não sabia ao certo o que se passava em sua própria mente.
Era algo muito, muito complexo.
Havia um senso de alívio por ter a alma lavada, mas também uma sensação de que, no fim das contas, ele não era inatingível e sempre existiria alguém capaz de colocá-lo no devido lugar.
Mas, ao vê-lo partir sozinho, com aquela postura solitária e melancólica, e a maneira como saiu em silêncio opressor...
Natália sentiu uma dor no peito incontrolável e incômoda.
Afinal, haviam dividido a mesma cama por mais de dois anos, e ele sempre se mostrara tão cheio de si, radiante e invencível.
E agora... ela havia enxergado em suas costas uma vulnerabilidade lamentável que nunca vira antes...
Natália sentia-se exausta e não queria pensar mais naquilo.
De qualquer forma, esta noite... ele finalmente veria o acordo de divórcio.
Com as coisas chegando àquele extremo, Sérgio com certeza estava furioso além da conta.
Antigamente, ela sempre concordava com tudo que ele queria; agora que agia assim, embora ele dissesse que não aceitaria o divórcio, bastaria ver os papéis e talvez acabasse assinando num acesso de raiva.
Natália soltou um suspiro, sem saber... se o que sentia era alívio libertador ou pura melancolia.
*
Descer a montanha usando sapatos baixos era, inegavelmente, muito mais confortável do que com aqueles saltos.

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