Mário ordenou:
— Fique com ele.
E, em seguida, acrescentou:
— Vou desligar.
Após a ligação, Tainá, com as sobrancelhas franzidas, ficou sentada no sofá terminando o cigarro sozinha. Esfregou os cabelos bagunçados.
Certo. Ela ia receber o dinheiro, e isso também era bom, não era?
Ela... não fez cerimônia e aceitou a transferência.
Acontece que, ao aceitá-lo, sentiu um inevitável aperto no coração.
Justamente porque as coisas eram tão boas... é que ela se entristecia.
Tainá ligou para Fernanda, que lhe disse:
— Eu já ia te chamar. Comprei um presente para a Nati.
Tainá arregalou os olhos.
— Caramba, que presente? Por que você não me avisou? Eu também quero comprar!
Ela não podia ficar para trás.
Fernanda respondeu:
— Pontos comerciais. Não combinamos da última vez que íamos dar algo para o filho dela?
Tainá exclamou:
— Cacete, que mulher rápida! Já preparou tudo caladinha!
Fernanda justificou:
— Quero deixá-la um pouco mais feliz, não é?
Tainá concordou:
— Certo. Então nós duas vamos para lá mais tarde, aproveitamos e jantamos com ela.
Quando Fernanda e Tainá estavam prestes a chegar, Natália assistia televisão na sala principal.
Ela havia acabado de mudar de canal e, do nada, o rosto de Sérgio apareceu na tela.
Natália paralisou.
Dona Maria estava ao lado dela, descascando frutas. Ao ver a cena, disse alegremente:
— É o jovem mestre!
Natália permaneceu calada.
Dona Maria continuou:
— É o filme que rendeu o prêmio a ele. A história é ótima, é baseada num livro.
Dona Maria sorriu, oferecendo a maçã descascada a Natália, e concluiu:
— Ele é tão bonito!
Natália, sem esboçar qualquer emoção, pegou a maçã em silêncio e desligou a televisão.
O sorriso de Dona Maria congelou, e ela disfarçou de modo constrangido.
Natália mordia a maçã, fazendo ruídos crocantes, e Dona Maria não ousou dizer mais nada.

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