Caio ficou pasmo, sem entender nada.
Sentiu apenas uma pontada de pena pelo celular recém-espatifado em mil pedaços.
E também maravilhou-se com a força impressionante do braço do seu chefe, pois a porta estava bem distante da mesa...
Caio encarava o aparelho, refletindo se deveria ou não pegá-lo.
Tinha quebrado feio mesmo; certamente, era perda total.
Ainda matutava sobre isso quando ouviu Mário dizer:
— Pegue isso e vá comprar um novo.
Caio olhou para ele e viu que estava de cabeça baixa, cotovelos na mesa, massageando o nariz longo com os dedos compridos.
— Sim, senhor. — Caio se abaixou rapidamente para juntar os pedaços e, de quebra, pegou o próprio telefone para ligar para a recepção, encarregando uma secretária de providenciar o aparelho novo.
Caio se aproximou, depositando com o máximo cuidado o celular, cuja tela estava estilhaçada, sobre a mesa.
— Sr. Mário.
Mário colocou o cigarro na boca, e Caio apressou-se em pegar o isqueiro para acendê-lo.
Aproveitou para dar seu relatório:
— A canja foi entregue à Sra. Nascimento.
Mário deu uma tragada, resmungou um "uhum" e ordenou:
— Continue.
Caio titubeou e prosseguiu:
— Ela aceitou.
Mário puxou alguns documentos que estavam ao lado.
— Ela tomou?
Caio baixou os olhos.
— Eu... entreguei e saí, não... não vi se ela bebeu.
*Plaft.* Mário jogou a caneta na mesa.
— Faz as coisas pela metade; que tipo de trabalho é esse?
Caio respondeu:
— Peço desculpas, Sr. Mário, eu... falhei no meu dever.
Mário jogou o documento que acabara de assinar de volta na pilha.
— Saia.
Caio não teve alternativa a não ser se retirar.
Ao fechar a porta, ele deu uma olhadela furtiva para Mário.
E notou que aquele rosto belo e bem-contornado estava agora carregado e envolto em irritação.
Caio rapidamente fechou a porta, intrigado.
Mário sempre tivera um controle emocional formidável; mantinha-se impassível e descontraído o tempo todo e, até em embates negociais ferrenhos, sua tranquilidade chegava a fazer os adversários rangerem os dentes.
Por que diabos ele chegara ao ponto de esmagar o celular hoje?
*

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