Ele rebateu com um semblante sombrio:
— Eu, com ciúmes? E por que eu teria ciúmes? Você é a minha esposa, a minha Sra. Farias! O Mário Junqueira também é um homem comprometido, por que raios eu teria ciúmes? Como é? Você só quer me fazer sentir ciúmes?
Ele parecia muito zangado, como se a vergonha tivesse virado fúria, com uma expressão de "eu, com ciúmes? Acho que você está delirando".
Natália franziu a testa e de repente sentiu-se muito frustrada, culpando-se por ter deixado aquelas palavras escaparem.
Mas a culpa não era dela por falar por impulso, pois o comportamento de Sérgio era idêntico ao de alguém com ciúmes.
Se não fosse ciúmes, por que continuava com aquele tom sarcástico o tempo todo, focando no Mário e no consommé de pera?
Se não fosse ciúmes, era simplesmente o incômodo puro e simples por alguém tentar defendê-la?
Pelo visto, ele estava começando a procurar motivos para brigar de propósito?
E se estava procurando motivos, com certeza... ele queria o divórcio?
Ao se dar conta disso, Natália não sabia se ficava feliz ou triste.
Um nó formou-se em sua garganta, mas ela nada disse.
Só faziam dois dias e ele já estava impaciente?
Contudo, nesses dois dias ele estivera o tempo todo com Melissa; então as chamas do passado haviam reacendido?
Fazia sentido.
Ele sequer havia voltado em casa para checá-la, e agora, apenas fez uma ligação.
O mais irônico era ligar apenas para acusá-la de ter tomado o consommé enviado por Mário Junqueira.
Por acaso ele achava que ela não devia nem comer?!
Que comer era o pecado original?
Natália sentiu uma dor latente nas têmporas e, ao lembrar-se do acordo de divórcio que já estava digitado, estava prestes a falar.

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