Sérgio Farias estava fazendo uma videochamada para ela?
Natália ficou em silêncio por um momento antes de atender.
Na tela, ambos franziram a testa ao mesmo tempo.
Cada um notou a aparência péssima do outro.
Natália viu que as sobrancelhas de Sérgio estavam unidas com firmeza; seu rosto bonito estava sombrio, abafado e um pouco abatido.
Viu também que os olhos dele estavam incrivelmente profundos, com uma vermelhidão contida nos cantos.
Não dava para saber se era raiva, irritação, mágoa, ou apenas... efeito da fumaça do cigarro.
As sobrancelhas de Natália se contraíram ainda mais.
Sérgio Farias também viu o rosto abatido de Natália.
Estava pálida, sem qualquer sinal de cor, causando uma pena inevitável.
Tinha a testa franzida, sem um pingo de energia, parecendo uma boneca de porcelana de quem haviam extraído toda a vitalidade.
Seu rosto, que já era pequeno, parecia ter emagrecido ainda mais, e suas feições estavam mais definidas.
Além disso, ela estava deitada na cama. Sérgio observou o travesseiro onde ela encostava a cabeça; não era o da suíte principal.
Provavelmente era do quarto de hóspedes no terceiro andar.
A fronha tinha estampas de desenho animado, uma fada rosa.
Natália gostava daquelas coisas.
Inexplicavelmente, Sérgio pareceu soltar um suspiro de alívio internamente.
Ela... ainda estava em casa.
Mas nenhum dos dois disse nada.
Momentos depois, foi Natália quem quebrou o silêncio.
Com a voz rouca, distante.
Com a testa franzida e um ar de insatisfação, perguntou:
— Precisa de algo?
Sérgio a observava, ajeitou o colarinho, pegou um cigarro e o acendeu antes de perguntar:
— O consommé de pera estava gostoso?
As sobrancelhas de Natália se juntaram mais uma vez.
— Só queria falar sobre isso? É um interrogatório, ou o quê?
— Por que está tão nervosa? — questionou Sérgio.
— Você está doente? — retrucou Natália, sem entender.

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