— Nem mesmo por esses poucos meses vocês conseguem me suportar! Eu não entendo o porquê! A Fernanda tem você para protegê-la, a Tainá tem o Mário para apoiá-la, e todos vocês estão dando suporte à Natália. E quanto a mim? O Sérgio se dispõe a me acompanhar, mas é amaldiçoado, atacado e alvo de indiretas de vocês todos os dias. Irmão, você realmente me mandaria para a morte apenas por causa da sua mulher?
Marcelo estava completamente mudo; apenas franziu a testa, num vinco profundo.
Por fim, cedeu:
— Está bem, está bem. Ninguém está fazendo isso. Nós compreendemos, ninguém está culpando você.
Ele a puxou para um abraço apertado:
— O seu irmão não a culpa. A culpa é nossa. Todos nós deveríamos ter mais empatia por você.
Choramingando, Melissa soluçou:
— Eu juro que nunca tentaria tirar nada da Natália.
Marcelo a consolou:
— Certo, certo. Ninguém disse que você ia tirar nada dela. Você é a mais bondosa de todos, nunca faria algo assim.
Ela se agarrou com força à camisa dele, como se estivesse sofrendo uma grande injustiça.
Sentindo uma enorme pena da irmã, Marcelo afagava suas costas gentilmente. Por fim, deu um suspiro e disse em voz baixa:
— Pronto, não chore mais. Cuidado, todo esse estresse faz mal ao bebê.
O que nenhum dos dois imaginava era que, bem do lado de fora da porta, estavam Sérgio Farias e Mário Junqueira.
Como Marcelo entrara com muita pressa, esquecera de fechar a porta direito.
Mário e Sérgio estavam apenas passando, calharam de se encontrar ali e, por coincidência, escutaram tudo.
Os dois não disseram uma palavra, ficaram apenas ali, na porta, ouvindo a conversa.
Após aquele último comentário, Mário foi o primeiro a empurrar a porta e entrar.
Sérgio não conseguiu impedi-lo a tempo e, no fim, não teve escolha a não ser segui-lo para dentro.
Assim que Mário entrou, ergueu as mãos e bateu duas palmas rítmicas, dizendo:
— Ah, então é assim.
Logo em seguida, o canto de seus lábios curvou-se num sorriso.
Tanto Marcelo quanto Melissa deram um pulo de susto.
Engolindo as lágrimas, Melissa o encarou:
— Sr. Mário, está dizendo isso de forma sincera ou irônica?
O sorriso de Mário se manteve inalterado:
— Sinceridade ou ironia, isso não é você quem decide? Se eu disser que sou sincero, mas você insistir que é falso, o que é que eu posso fazer?
Melissa engoliu em seco:

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