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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 49

Os últimos dias tinham sido… estranhamente estáveis.

Nada de Rafael batendo na porta.

Nada de Vittória sussurrando veneno pelos corredores.

Nada de Clara circulando como cão de guarda mal treinado.

Só silêncio.

Um silêncio que vinha acompanhado de comida no quarto, muito trabalho acumulado e chamadas em vídeo com Bianca, que fazia questão de conferir se ela estava respirando três vezes por dia.

Valentina quase conseguia fingir que aquela mansão não era uma prisão social.

Quase.

Estava sentada à mesa, analisando o terceiro processo do dia, quando murmurou para si:

— Se eu continuar nesse ritmo, pago o tio antes do previsto…

Ela tomou um gole de café já morno, clicou para abrir o próximo arquivo, ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha e—

TOC. TOC. TOC.

Uma batida seca, urgente, impaciente.

Valentina franziu o cenho.

— Clara? Se for mais um café frio eu—

A porta se abriu.

Mas não era só Clara.

Era Clara… seguida de quatro pessoas carregando malas, cabides, caixas e uma arara inteira de vestidos.

Parecia a entrada de um esquadrão de resgate da Vogue.

Valentina arregalou os olhos.

— O que… é isso?

Clara deu um passo à frente, com aquela postura de “eu gostaria de estar em qualquer lugar menos aqui”, e respondeu com o tom mais azedo do mundo:

— Ordens do senhor Montenegro.

Ah. Claro. Lá estava a explicação para o tsunami entrando pela porta.

Valentina cruzou os braços.

— Ordens para quê?

A estilista — uma mulher de coque milimetricamente alinhado — praticamente saltou para o centro do quarto.

— Querida, nós vamos te arrumar! — disse com um sorriso que brilhava mais que o brinco de diamante que usava. — Você está com um brilho natural maravilhoso, mas vamos trabalhar isso. Hoje é um dia especial!

Valentina piscou.

— Hoje?

— Sim! — o maquiador apareceu por trás, já analisando o rosto dela como se mapeasse terreno sagrado. — Grande baile anual Montenegro. Evento de gala. Televisão. Imprensa. Fotografias. Socialites. Empresários. Líderes internacionais. Gente que acha que manda em alguma coisa.

Valentina congelou.

— O baile… é hoje?

Clara cruzou os braços, entediada.

— Sim. E você tem ordem expressa para comparecer.

Valentina sentiu o estômago cair.

Ela sabia do baile.

Mas tinha feito questão de deixar o assunto dormindo no fundo da gaveta.

Ninguém tinha dito mais nada desde o convite deixado em silêncio dias atrás.

Ela respirou fundo.

— Certo. — murmurou, já entendendo perfeitamente a mensagem. — Então… vamos lá.

A estilista abriu um sorriso satisfeito.

— Ótimo. Era isso que eu queria ouvir.

Atrás dela, o maquiador montava uma estação de guerra estética:

pincéis, luzes, paletas, produtos que pareciam custar o salário anual de alguém.

A assistente abriu a arara, revelando vestidos tão longos que precisavam de duas pessoas para carregar:

• um azul profundo com bordados que pareciam céu estrelado,

• um champanhe que refletia luz como água,

• e um preto com brilho de obsidiana.

A estilista bateu palmas.

— Equipe! Luz boa perto da janela. Precisamos preparar pele, ajustar caimento e escolher o vestido principal.

Valentina ergueu a mão.

— Só um segundo. Eu não estava esperando nada disso. E—

Clara interrompeu com o veneno mais doce do mundo:

— O senhor Montenegro quer você pronta até as sete.

Você sabe como é.

Valentina não respondeu, mas seu rosto endureceu por dentro.

Sim.

Ela sabia exatamente como era.

O maquiador aproximou-se carregando uma paleta enorme.

— Amor, senta. — disse com carinho profissional. — Eu faço milagres antes das 11h da manhã.

Clara olhou para Valentina com desprezo mal disfarçado.

— Não entendo por que tanto esforço para alguém como você…

O maquiador girou para ela, mortal:

— Querida, silêncio. — disse baixinho. — Eu já vi contorno demais mal feito hoje. Se eu me irritar, faço um definitivo no seu espírito.

Clara empalideceu até a alma.

Valentina precisou morder a bochecha para não rir.

A estilista colocou as mãos no quadril.

— Senhora Montenegro…

Valentina levantou o rosto.

— Sim?

— Hoje à noite, você não é apenas uma convidada.

É apresentada.

E quando você entrar naquele salão… ninguém vai respirar por alguns segundos.

Mas a Valentina Diniz.

A advogada brilhante. A mulher que enfrentava a vida com a própria mente. A filha que queria honrar o legado da família.

E algo dentro dela se realinhou.

O maquiador aproximou-se com uma paleta.

— Queremos poder. — ele decretou. — Queremos presença. Queremos que cada pessoa no baile tenha certeza absoluta de que está diante de alguém importante.

Clara bufou.

— Nem tente estragar isso com sua energia de limão azedo. — ele retrucou sem sequer olhar.

Ela se engasgou com a própria indignação.

Enquanto isso…

O pincel corria suave, preciso, quase amoroso.

A pele iluminou. Os olhos ganharam profundidade. A boca adquiriu uma cor firme, madura, sedutora sem exagero.

— Pronto. — o maquiador deu um passo atrás, orgulhoso. — Todo mundo que olhar pra você hoje… vai esquecer o próprio nome.

A estilista puxou três vestidos principais.

Mas havia um…

UM…

Que parecia ter sido feito para Valentina antes mesmo de existir.

— Vista isso. — ela disse, segurando o tecido azul profundo que parecia noite líquida.

Valentina tocou o material.

Era frio. Luxuoso. Quase vivo.

Ela vestiu.

E quando a estilista ajustou os ombros, a cintura, a saia…

O quarto inteiro ficou em silêncio.

Até Clara, a sombra do ressentimento, parou de respirar.

Valentina se virou lentamente para o espelho.

E viu.

Viu a mulher que ela poderia ser. Que ela era, mas tinha esquecido de enxergar.

Não a esposa contratual. Não a sobrevivente. Não a prisioneira da mansão.

Mas a futura dona da noite.

O maquiador colocou as mãos no peito.

— Gente… alguém chama emergência porque eu vou desmaiar.

A estilista bateu palmas, emocionada.

— Você está… impecável, senhora Montenegro.

Valentina inspirou fundo.

Não sorriu. Não chorou. Não tremeu.

Ela apenas afirmou:

— Então vamos ao baile.

E já não parecia uma escolha. Parecia destino.

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