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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 42

O mar não descansava.

Cada onda parecia maior que a anterior, cada impacto mais violento, cada segundo mais cruel. O barco era sacudido como brinquedo barato, rangendo, protestando, gritando em madeira aquilo que Valentina já não conseguia gritar em voz.

A tempestade agora era total.

A chuva caía em lâminas grossas, cortando o ar, batendo contra seu rosto como t***s gelados.

O vento empurrava o barco de lado, arrastava seu cabelo, entupia seus ouvidos.

O céu… o céu parecia estar desabando inteiro.

Valentina se agarrava ao que conseguia — corrimão, banco, canto, borda — mas nada ficava firme tempo suficiente.

Tudo escorregava.

Tudo fugia.

Tudo tremia.

Ela já não sabia há quanto tempo estava ali.

Minutos?

Horas?

Dias?

A dor no ombro queimava.

O frio devorava seus braços.

Os dedos estavam dormentes, roxos, quase sem força para segurar qualquer coisa.

— Por favor… por favor… — ela murmurou, mal reconhecendo a própria voz. — Eu não quero morrer… por favor…

O barco inclinou bruscamente para a direita.

Valentina escorregou, bateu a mão na madeira molhada, quase foi parar na beira do deque.

Um raio enorme rasgou o céu, iluminando o oceano como se o mundo fosse dividido ao meio.

E nesse clarão —

ela viu o tamanho da solidão.

A água era um monstro furioso em todas as direções.

Negra.

Profunda.

Infinita.

O barco era um ponto frágil, um fiapo, um erro de cálculo esperando ser engolido.

Valentina apertou os olhos, o coração batendo num ritmo torto.

Seu corpo estava perto do limite.

Seu peito ardia de tanto tentar respirar.

Seus braços tremiam, exaustos, queimando.

— Alguém… — ela sussurrou, com a voz arranhada pela fome de ar. — Por favor…

Ela não sabia se pedia ajuda.

Ou se apenas dizia o nome dele para não se sentir tão sozinha.

Outra onda enorme bateu no casco.

O barco subiu — e desceu com violência, fazendo o chão desaparecer por um segundo.

Valentina voou alguns centímetros e caiu com força no deque, o impacto arrancando o ar dos pulmões. Ela tossiu, engasgou com a água da chuva, tentou levantar — e caiu de novo, o corpo cedendo.

Ela rastejou até a lateral, agarrando o corrimão com as duas mãos trêmulas.

Se ela caísse no mar… acabava.

Acabava em segundos. E ninguém a encontraria.

As lágrimas escorriam misturadas com a chuva, quente contra o frio brutal da tempestade.

— Eu não sei nadar… — ela soluçou.

O barco virou de lado por um instante.

Um instante longo demais.

Ela gritou.

O vento tomou o grito dela, engoliu, arrancou, levou embora.

A escuridão parecia mais pesada.

Mais viva.

Mais cruel.

E então…

Algo mudou.

Primeiro foi um som.

Um som diferente do rugido do mar.

Um som que não pertencia à tempestade.

Um som grave, cortante, ritmado.

THUM-THUM-THUM-THUM.

Valentina ergueu a cabeça devagar, o coração disparando no peito.

O céu ainda estava preto.

A chuva ainda caía em lâminas.

Os trovões ainda quebravam o ar.

Mas no meio da tempestade…

Havia uma luz.

Uma luz forte.

Redonda.

Vibrante.

Cortando o negrume como se abrisse um rasgo no próprio céu.

Valentina piscou, tentando enxergar através da chuva.

A luz se aproximou.

E o som ficou mais forte.

THUM-THUM-THUM-THUM.

O barco balançou de lado novamente, mas ela não sentiu terror dessa vez.

Sentiu… algo familiar.

Algo impossível.

Algo que parecia esperança.

— Não… — ela sussurrou, com a voz falhando. — Não pode ser…

Outro raio explodiu no céu, iluminando a cena por um segundo perfeito.

E nesse segundo, ela viu.

O helicóptero.

Gigante.

Feroz.

Dominando o céu como se desafiasse a própria tempestade.

As luzes dele varreram o barco, iluminando Valentina inteira — molhada, tremendo, agarrada ao corrimão como se fosse a última coisa viva no mundo.

O vento provocado pelas hélices bagunçou tudo, levantou água do mar, fez a lona rasgar, arrancou objetos do chão.

Mas ela não tirou os olhos do helicóptero.

E então…

a porta lateral se abriu.

Ele apareceu.

— Nada vai te acontecer. — Rafael prometeu, apertando-a contra o peito. — Eu te peguei. Acabou. Eu te peguei.

Ela tentou responder — não conseguiu.

O corpo dela desabou nos braços dele, completamente.

Desmaiada.

Rafael a levantou como se fosse feita de vidro.

— Sobe! — ele gritou para o homem na escada do helicóptero. — AGORA!

Dois dos homens dele desceram, ajudando a estabilizar a subida enquanto o barco balançava de forma assustadora.

Mas Rafael não largou. Ele levou Valentina no colo durante todo o trajeto, como se o mundo estivesse explodindo embaixo e ele precisasse protegê-la com o próprio corpo.

Dentro do helicóptero, ele a deitou com cuidado sobre o banco acolchoado, mas manteve uma das mãos segurando a dela.

Como se soltar fosse um crime.

— Respira… — ele murmurou, a voz falhando pela primeira vez. — Vem comigo. Fica comigo.

Ela não ouviu.

Mas ele continuou.

Até o helicóptero pousar no heliponto do hospital.

Até os paramédicos tentarem se aproximar.

Até um deles dizer:

— Senhor, precisamos levá-la—

Rafael ergueu o rosto devagar.

A expressão dele fez o paramédico recuar meio passo.

— Toquem nela com cuidado. — ele disse, a voz baixa e perigosamente calma. — Se vocês deixarem cair um fio de cabelo dela… eu juro que derrubo esse hospital inteiro.

Os médicos engoliram seco.

Levaram Valentina para dentro — e Rafael foi atrás, sem soltar a mão dela até o último segundo permitido.

Quando chegaram ao quarto de observação, dois médicos esperavam.

— Senhor Montenegro, ela desmaiou pelo estresse extremo. — explicou o primeiro. — Hipotermia leve, desidratação, exaustão. Não encontramos ferimentos ou trauma visível, mas precisamos fazer exames completos.

Rafael não piscou.

— Façam. — disse, direto. — Tudo.

Exames de sangue, tomografia, monitoramento cardíaco. Não poupem nada.

O médico hesitou.

— É… é realmente necessário tudo isso?

Rafael deu um passo à frente.

Só um.

Mas foi suficiente para o ar da sala ficar menor.

— Se algo acontecer com ela… — ele sussurrou, encarando o médico como se pudesse enxerga-lo por dentro — Eu acabo com vocês.

O médico empalideceu.

— Si-sim, senhor. Começaremos imediatamente.

Rafael voltou o olhar para Valentina.

Ela estava deitada, pálida, o cabelo grudado no rosto, a respiração fraca… mas viva.

Viva.

Ele levou a mão ao rosto dela, afastou uma mecha molhada, e murmurou algo que nem ele percebeu que estava dizendo:

— Você não vai morrer longe de mim. Nunca mais.

E ficou ali.

Imóvel.

Guardando-a como se fosse território sagrado.

Como se qualquer um que entrasse naquela sala precisasse pedir permissão pra respirar.

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