O retorno ao hotel aconteceu em silêncio, mas não em vazio.
Genebra continuava elegante do lado de fora, com suas luzes refletidas no lago como pequenos fragmentos dourados espalhados pela água escura. Dentro do carro, porém, o mundo parecia outro — mais contido, mais íntimo.
Valentina manteve o olhar na janela por alguns instantes, mas não estava realmente vendo a cidade. Estava organizando pensamentos, encaixando peças, tentando entender tudo o que tinha presenciado naquela noite. O leilão não tinha sido apenas um evento. Tinha sido uma demonstração de poder.
E Rafael…
Rafael tinha assistido tudo como alguém que já conhecia o resultado.
Ela desviou o olhar para ele.
Ele estava relaxado.
O carro parou diante do hotel, e o porteiro abriu a porta com a mesma precisão silenciosa de sempre. Rafael saiu primeiro e, sem dizer nada, estendeu a mão para ela. Valentina aceitou, deixando que ele a ajudasse a descer, e por um instante simples — quase banal — tudo pareceu mais leve.
Subiram juntos, lado a lado, sem pressa. O elevador refletia os dois no espelho dourado, e Valentina se pegou observando aquele reflexo por alguns segundos. Era estranho como, mesmo depois de tudo, ainda havia algo ali que fazia sentido.
Algo que… ela queria que continuasse fazendo.
Quando a porta do quarto se abriu, ela deu um passo à frente… e parou.
A iluminação estava diferente.
Mais baixa. Mais quente.
As cortinas fechadas deixavam o ambiente envolto em uma penumbra confortável, enquanto pequenas luzes indiretas criavam um clima quase íntimo demais para ser apenas coincidência. Sobre a mesa, uma composição impecável: pratos preparados, vinho já servido, flores discretas — nada exagerado, nada forçado.
Tudo no ponto.
Valentina virou lentamente o rosto para Rafael.
— Você fez isso?
Ele afrouxou o nó da gravata, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Eu gosto de terminar bem as noites.
Ela soltou um pequeno riso, mais baixo do que pretendia.
— Isso não é “terminar bem”. Isso é… perigoso.
Ele arqueou levemente a sobrancelha.
— Você achou?
Valentina caminhou até a mesa, passando os dedos levemente pela superfície, observando cada detalhe.
— Geralmente, vinhos depois de um leilão bilionário deixa as pessoas bem intensas.
Rafael se aproximou, parando atrás dela, próximo o suficiente para que o calor do corpo dele fosse perceptível.
— E você acha que um jantar é intenso?
Ela virou o rosto, encontrando o olhar dele.
— Não, mas o que vem depois.
O beijo veio sem aviso, mas também sem pressa. Não havia urgência, não havia necessidade de provar nada. Era um toque que falava por si, que carregava tudo o que tinha ficado não dito ao longo do dia.
Valentina levou a mão até a camisa dele, segurando o tecido por um instante, como se precisasse daquilo para se ancorar.
O jantar aconteceu entre olhares demorados e conversas leves, quase despretensiosas. Eles falaram pouco sobre o leilão, menos ainda sobre negócios. Era como se, por algumas horas, aquele mundo não existisse.
E, de certa forma… não existia mesmo.
Valentina apoiou a taça na mesa, observando Rafael por cima do vidro.
O mundo lá fora deixou de existir.
As roupas foram ficando pelo caminho, descartadas como obstáculos inúteis que não faziam mais sentido permanecer entre a urgência de suas peles. O toque dele era firme, seguro, e ao mesmo tempo… carregado de uma autoridade silenciosa que ela ainda não tinha aprendido a ignorar. Quando ele a levou até a cama e a pressionou contra os lençóis frios, o contraste térmico arrancou dela um suspiro agudo.
Não houve dúvidas. Nem espaço para elas.
Rafael se posicionou entre as pernas dela, os olhos escurecidos, fixos nos dela. Quando ele entrou, profundo e sem aviso, preenchendo-a por completo, Valentina arqueou o corpo, as unhas enterradas nos ombros largos dele.
— Rafael... — o nome dele escapou em um gemido rouco, uma súplica que ela não conseguiu conter.
Ele travou por um segundo, os músculos do braço saltando enquanto ele se sustentava sobre ela, a respiração pesada batendo contra o rosto dela.
— Diz de novo — ele ordenou, a voz falhando, as estocadas tornando-se rítmicas e viscerais, o som da carne se chocando prechendo o silêncio do quarto. — Diz que é minha, Valentina.
— Sua... — ela balbuciou, a cabeça jogada para trás, entregue ao atrito úmido e ao calor vulcânico que emanava dele. — Droga, Rafael... mais.
Os movimentos se encontraram como se já soubessem o ritmo, um encaixe perfeito onde não havia mais espaço para o homem inacessível ou a mulher desconfiada. Havia algo ali que ia além do físico. Algo que prendia, que puxava as entranhas, que a fazia querer se perder naquela imensidão de sensações.
Valentina fechou os olhos por um instante, sentindo o peso esmagador dele, o cheiro de sexo e suor, a respiração descompassada se misturando à dela em rosnados baixos. Não havia controle ali. Não havia cálculo. E, pela primeira vez em muito tempo… ela não quis ter.
O clímax veio como uma avalanche, contraindo os músculos dela ao redor dele em espasmos violentos. Rafael soltou um rosnado profundo, o nome dela saindo de sua garganta como um desabafo enquanto ele se derramava dentro dela, o corpo tremendo em uma entrega que ele nunca permitiria fora daquelas quatro paredes.
Quando tudo finalmente desacelerou, o silêncio que veio depois não foi vazio. Foi completo.
Rafael a puxou para perto, prendendo-a contra o peito arfante de forma quase instintiva. Valentina se encaixou sem resistência, o rosto escondido na curva do pescoço dele, como se aquele lugar já fosse conhecido. Seguro.
A respiração dele ainda estava próxima ao pescoço dela, quente e pesada, quando ele passou o braço pela cintura dela, mantendo-a ali com uma força que dizia que, naquela noite, ele não tinha a menor intenção de soltar.
Valentina fechou os olhos, sentindo o calor, o ritmo do coração dele ainda forte contra as costas dela.
E, naquela noite, não havia estratégia, disputa ou jogos de poder. Havia apenas dois corações batendo no mesmo ritmo.

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