A noite na ilha parecia mais silenciosa do que nas outras.
O jantar tinha terminado há alguns minutos. A mesa montada na areia ainda estava iluminada pelas velas, e a garrafa de vinho quase vazia descansava entre duas taças esquecidas.
O mar sussurrava logo à frente.
Valentina estava perto da água, descalça, sentindo a areia fria sob os pés enquanto observava o reflexo da lua no oceano.
A brisa noturna movia seus cabelos.
Rafael saiu da casa alguns passos atrás dela.
Ele parou por um instante.
Apenas observando.
Aquela cena parecia tão tranquila que seu peito apertou de um jeito estranho. Como se aquele momento fosse precioso demais para ser real.
Valentina percebeu a presença dele e virou o rosto.
— Você ficou quieto de repente.
Rafael deu alguns passos na direção dela.
— Estava pensando.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Isso é perigoso.
Ele sorriu de lado.
— Concordo.
O vento soprou mais forte naquele momento.
Valentina cruzou os braços.
— No que estava pensando?
Rafael demorou alguns segundos antes de responder.
— Em como esses dias passaram rápido.
Ela voltou o olhar para o mar.
— Passaram mesmo.
O silêncio voltou entre os dois.
Mas não era vazio.
Era cheio de coisas que nenhum deles tinha colocado em palavras ainda.
Rafael caminhou até a pequena caixa de som que estava sobre a mesa.
Ele apertou um botão.
Uma música suave começou a tocar.
Valentina ergueu uma sobrancelha.
— Você trouxe música também?
Rafael deu de ombros.
— Planejei algumas coisas.
Ela riu baixo.
Ele estendeu a mão.
— Dança comigo.
Valentina olhou para a mão dele por um instante.
Depois colocou a mão na dele.
Rafael a puxou devagar para perto.
Os dois começaram a se mover lentamente ao ritmo da música.
Sem técnica.
Sem coreografia.
Apenas acompanhando o momento.
A areia sob os pés.
O som do mar.
A lua iluminando tudo ao redor.
Valentina apoiou a mão no ombro dele.
Rafael segurou a cintura dela.
Eles ficaram assim por alguns segundos.
Dançando.
Respirando o mesmo ar.
Valentina apoiou a cabeça no peito dele.
— Isso é perigoso.
Rafael olhou para baixo.
— Por quê?
Ela suspirou.
— Porque está perfeito demais.
Ele não respondeu.
Apenas continuou segurando ela.
A música começou a terminar.
Os dois pararam devagar.
Valentina levantou o rosto.
Rafael passou o polegar suavemente pela bochecha dela.
— Valentina…
A voz dele estava diferente.
Ela percebeu imediatamente.
— O que foi?
Rafael respirou fundo.
Como se estivesse reunindo coragem.
— Eu preciso te dizer uma coisa.
Ela ficou imóvel.
— Pode dizer.
Ele segurou o rosto dela com cuidado.
Os olhos cinzentos presos nos dela.
— Eu te amo.
O mundo pareceu parar por um segundo.
Valentina piscou lentamente.
O coração dela disparou.
— Rafael…
Ela respirou fundo.
— Nosso casamento…
A voz saiu mais baixa.
— é um contrato.
O vento passou entre os dois.
Rafael assentiu.
— Eu sei.
Ela continuou olhando para ele.
— E ele está acabando.
Rafael se aproximou um pouco mais.
— Justamente por isso.
Valentina franziu a testa.
— O que quer dizer?
Ele segurou as mãos dela.
— Eu não quero que isso termine quando o contrato acabar.
Ela ficou em silêncio.
Rafael continuou.
— Eu quero tentar algo real.
O olhar dele estava firme agora.
— Quero te conhecer de verdade.
Valentina piscou.
Ele deu um pequeno sorriso.
— Quero namorar você.
— Quero sair com você.
— Quero discutir com você.
— Quero descobrir quem você é quando não está sendo minha esposa por obrigação.
Ela sentiu os olhos arderem.
— Rafael…
Ele passou o polegar pelo rosto dela.
— E se você me aceitar…
ele sussurrou
— a gente esquece que isso tudo começou com um contrato.
Valentina respirou fundo.
— Eu tenho medo.
Rafael se aproximou mais.
— Isso significa que agora somos oficialmente namorados?
Ele sorriu.
— Significa.
Valentina passou os braços pelo pescoço dele.
— Então acho que você pode me beijar de novo.
Rafael não precisou de convite duas vezes.
Ele a puxou pela cintura.
O beijo voltou.
Mais intenso.
A brisa da noite envolvia os dois.
As mãos dele deslizaram pelas costas dela.
Valentina se aproximou ainda mais.
O mar quebrava suavemente atrás deles.
Ela riu contra os lábios dele.
— Acho que estamos no meio da praia.
Rafael olhou rapidamente ao redor.
— Não vejo ninguém reclamando.
Ela puxou a camisa dele.
— Ainda bem.
O beijo voltou mais profundo.
Ele a levantou nos braços.
Valentina soltou uma pequena risada surpresa.
— Rafael!
— Eu te avisei que esse fim de semana ainda não tinha acabado.
Ele caminhou alguns passos até a areia mais próxima da água.
A lua iluminava o mar.
A areia ainda estava morna.
Eles caíram ali rindo.
Entre beijos.
Entre mãos que se procuravam.
Entre respirações que se misturavam.
O tempo parecia desaparecer.
O mundo parecia distante.
Ali só existiam os dois.
Quando finalmente o silêncio voltou, Valentina estava deitada com a cabeça no peito dele.
Rafael passava os dedos lentamente pelos cabelos dela.
O mar continuava se movendo lentamente à frente.
Valentina desenhava círculos distraídos no peito dele.
— Rafael…
— Hm?
— Promete uma coisa?
Ele olhou para ela.
— O quê?
Valentina levantou o rosto.
Os olhos presos nos dele.
— Promete que isso não é só a ilha?
Rafael passou a mão pelo rosto dela.
— Não é.
Ele beijou a testa dela.
— Isso é só o começo.
Valentina sorriu.
Encostou a cabeça novamente no peito dele.
E pela primeira vez desde que aquele contrato tinha começado…
ela acreditou que talvez o amor fosse real.
Naquela noite…
o contrato finalmente tinha perdido o poder.
E dois corações tinham escolhido ficar.

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