Valentina estava sentada no banco antigo perto da entrada do cemitério.
As mãos juntas sobre o colo.
O olhar perdido em algum ponto distante do horizonte.
Ela não olhava para o túmulo.
Não olhava para o caminho.
Apenas esperava.
A luz do fim da tarde caía sobre ela de um jeito estranho, dourado, suave, como se o sol tivesse escolhido aquele único lugar para tocar antes de desaparecer atrás das montanhas.
Quando ela ouviu passos sobre o cascalho, virou o rosto devagar.
Rafael estava vindo.
Os ombros ainda pesados.
O rosto mais sério do que de costume.
Mas havia algo diferente ali.
Algo que não estava mais tão duro.
Ela se levantou.
Por um instante nenhum dos dois falou.
O vento frio passou entre eles, levantando levemente o cabelo de Valentina.
Então ela deu um passo.
E o abraçou.
Sem pergunta.
Sem explicação.
O corpo pequeno dela encaixou no dele como se fosse o lugar natural onde ele deveria estar.
Rafael ficou imóvel por um segundo.
Como se o corpo ainda estivesse tentando entender o que fazer com aquele gesto.
Então os braços dele se fecharam ao redor dela.
Forte.
Apertado.
Como se ele tivesse passado anos sem perceber o quanto precisava daquele tipo de abraço.
Ele respirou fundo.
O cheiro dela.
O calor dela.
A presença silenciosa dela.
— Obrigado.
A voz dele saiu baixa, quase rouca.
Valentina sentia o coração dele batendo rápido contra o peito dela.
Muito rápido.
Ela se afastou um pouco, apenas o suficiente para olhar o rosto dele.
— Você está bem?
Rafael demorou um segundo para responder.
— Estou…
Ele respirou fundo novamente.
— Acho que sim.
Ela o abraçou outra vez.
Dessa vez ele não hesitou.
Apenas deixou.
O vento continuava passando entre as lápides antigas, mas o frio parecia menor agora.
Depois de alguns instantes ela falou suavemente:
— Vamos para casa.
Rafael assentiu.
Os dois caminharam juntos até a saída do cemitério.
O carro ainda os aguardava.
Rafael abriu primeiro a porta para Valentina.
Ela entrou.
Ele entrou logo depois.
O motorista olhou pelo retrovisor.
— Está tudo bem?
Valentina sorriu gentilmente.
— Sim.
Rafael não disse nada.
O carro começou a se mover pelas ruas silenciosas da pequena cidade.
A neve começava a cair.
Flocos pequenos.
Lentos.
Silenciosos.
Dentro do carro, Rafael continuava olhando pela janela.
Mas dessa vez não parecia perdido.
Parecia… cansado.
Como alguém que finalmente tinha colocado um peso no chão.
Valentina não disse nada.
Apenas deixou que ele tivesse aquele tempo.
Quando o carro parou diante da pequena casa de madeira, o céu já estava escuro e a neve caía com mais força.
Rafael saiu primeiro.
Abriu a porta para ela.
Entraram.
O calor da casa os envolveu imediatamente.
Valentina tirou o casaco e virou-se para ele.
— Vai tomar um banho.
A voz dela era calma.
— Vou preparar o jantar.
Rafael a observou por alguns segundos.
Algo dentro dele ainda estava reorganizando tudo o que havia acontecido naquele dia.
Ele assentiu.
Saiu para o banho.
Enquanto isso, Valentina foi para a cozinha.
Ligou a lareira novamente.
Acrescentou algumas lenhas.
A casa ficou mais quente.
Mais acolhedora.
Mais viva.
Ela colocou a sopa no fogo e começou a organizar o restante da mesa quando sentiu braços envolvendo sua cintura por trás.
Rafael.
Ele encostou o rosto no pescoço dela e respirou fundo.
— Eu já disse… eu não podia ficar de braços cruzados sem fazer nada.
Ele assentiu.
— Mesmo assim… obrigado.
Ela sorriu e brincou:
— Nada que alguns milhões na minha conta não resolvam.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Cinquenta ou cem?
Ela olhou para ele.
— Quinhentos.
Rafael riu.
— Sim, senhora Montenegro. Quinhentos milhões.
Valentina jogou a cabeça para trás rindo alto.
— Tão fácil arrancar dinheiro de você assim? Vou ficar mal acostumada.
O sorriso dele ficou mais suave.
— Tudo que é meu é seu.
Ela parou de rir.
— Estou brincando… você sabe, né?
— Eu sei.
Depois do jantar ela começou a lavar as louças.
Rafael veio atrás dela.
Abraçou-a pela cintura novamente.
— Você sabia que pode fazer um pedido quando a primeira neve cai?
Ela sorriu.
— Eu não sabia disso.
— Pode.
Ela fechou os olhos por um instante.
Depois abriu.
— Se realizar, vou fazer toda vez que nevar.
Mais tarde, quando finalmente foram para o quarto, o silêncio voltou.
Mas era um silêncio diferente.
Eles se deitaram.
Valentina o abraçou.
Rafael permaneceu quieto por um tempo.
A respiração dele foi ficando mais lenta.
Mais profunda.
Quase dormindo.
E então, naquele ponto entre o sono e a consciência, ele murmurou, baixo:
— Eu te amo, Valentina.
Ela ficou imóvel.
Os olhos abertos na escuridão.
O coração batendo forte.
Ela virou o rosto lentamente para ele.
Mas Rafael já estava dormindo.
E Valentina ficou ali…
sem saber se tinha sonhado.

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