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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 248

Rafael permaneceu ajoelhado, a mão ainda apoiada na lápide, o olhar fixo no nome falso como se a mente se recusasse a aceitar que não havia mais busca, nem estrada, nem relatório, nem esperança. Só fim.

Quando finalmente falou, a voz saiu tão baixa que o próprio vento quase levou.

— Me perdoa.

Silêncio.

Ele fechou os olhos por um segundo.

A mandíbula travada.

O peito duro demais para chorar, pesado demais para respirar direito.

— Sei que é muito tarde pra tudo isso… — murmurou. — E se você estivesse viva, talvez nunca me perdoasse…

A mão livre dele tocou a terra.

Os dedos apertaram o chão como se quisessem segurar alguma coisa que já tinha passado há tempo demais.

— Mas me perdoa.

O silêncio respondeu.

Rafael abaixou a cabeça.

A voz seguinte saiu mais rouca.

Mais baixa.

Mais honesta.

— Eu nunca deveria ter te levado até a minha família.

O vento passou forte entre os túmulos.

Ele continuou, sem tirar a mão da lápide:

— Eu sabia que podia acontecer. Sabia. Mas entre saber… e ter certeza…

A frase morreu por um instante.

Ele respirou fundo.

Tentou de novo.

— Eu arrisquei.

A garganta dele se moveu.

A voz ficou ainda mais baixa.

— Você… e o bebê.

Silêncio.

Longo.

Denso.

O tipo de silêncio que não consola, só deixa a dor respirar.

Rafael continuou ajoelhado.

O olhar perdido na pedra gasta.

— Sara… eu te procurei tanto.

A voz já não tinha controle.

Não era desespero.

Era cansaço.

Um cansaço antigo demais.

— Em tantos lugares. Em tantos anos.

Ele soltou um sopro curto, quase sem humor.

— Aqui é frio.

O canto da boca dele subiu por um segundo mínimo.

Doloroso.

— E você detestava frio, né?

A memória veio como faca e carinho ao mesmo tempo.

O jeito que ela reclamava do inverno.

O modo como enfiava as mãos nas mangas dele para esquentar os dedos.

Aquele riso fácil que ele passou anos tentando não lembrar.

Rafael fechou os olhos.

— Passei dez anos planejando minha vingança contra quem te machucou.

A cabeça dele baixou mais um pouco.

— Dez longos anos.

Ele soltou um ar amargo.

— Eu sei o que você diria. Que vingança envenena a alma.

Um silêncio breve.

Depois:

— Mas eu cheguei num ponto em que acho que já não tenho mais alma nenhuma.

O vento passou outra vez.

E, por um instante absurdo, ele sentiu um perfume conhecido.

Não de Sara.

De Valentina.

Rafael respirou fundo.

O cheiro dela parecia deslocado naquele lugar, e ainda assim fazia sentido.

Luz no meio da terra fria.

Ele abriu os olhos devagar.

— Encontrei uma pessoa parecida com você.

O sorriso que surgiu foi pequeno. Quase quebrado.

— Ela irradia luz por onde passa.

A expressão dele murchou logo depois.

Porque toda ternura em Rafael Montenegro sempre vinha acompanhada de culpa.

— Pena que minha vida é feita de escuridão… — murmurou. — E essa escuridão sempre engole a luz.

A mão dele apertou a borda da lápide.

— Minha mãe teve o que mereceu. Meu pai também. Todos que fizeram mal a você… e a ela… estão pagando.

Os olhos dele se fecharam por um instante.

— Ainda tenho dois para terminar.

Ele soltou um sopro curto.

— Quem sabe assim eu consiga ver um pouco de luz também.

O vento gelado atravessou o cemitério.

— Espero que ela me perdoe… assim como estou aqui te pedindo perdão.

O silêncio tornou a cair sobre ele.

Depois de um longo tempo, Rafael apoiou as mãos nos joelhos e se levantou devagar.

As pernas demoraram um segundo a obedecer.

Ele limpou a terra dos joelhos com movimentos lentos, ainda olhando para a lápide.

— Sara…

A palavra saiu como prece.

Ou como pedido de clemência.

— Obrigado pela forma torta de me ajudar aí de cima… se existir algo assim.

O canto da boca dele subiu de leve.

— Espero que continue olhando pra mim. Não com raiva… mas como se tivesse mesmo me perdoado.

Nesse momento, o vento passou mais forte.

Frio.

Mas estranho.

Menos cruel do que antes.

Rafael fechou os olhos por um segundo.

Depois se virou.

Começou a caminhar entre os túmulos antigos.

Saindo da parte mais escura do cemitério, deixando para trás a pedra fria, o nome falso, os anos de busca e o peso que havia carregado sozinho por tanto tempo.

Quando ergueu os olhos, viu Valentina.

Ela estava sentada no banco perto da entrada, as mãos unidas sobre o colo, o rosto virado para o lado.

A luz do fim da tarde caía apenas sobre ela.

Dourada.

Suave.

Como se o resto daquele lugar estivesse mergulhado em sombra só para que ela brilhasse sozinha.

Rafael parou por um segundo.

Porque a imagem era forte demais para passar despercebida.

Por muitos anos ele viveu na escuridão da própria vida.

E agora, saindo daquele cemitério, era como se estivesse caminhando diretamente para a luz.

Ele continuou em frente.

Mais lento.

Mais leve.

Com o coração ainda ferido…

mas menos amargo.

E, enquanto se aproximava dela, Rafael Montenegro soube — pela primeira vez em muitos anos — que o passado não tinha desaparecido.

Mas já não o prendia do mesmo jeito.

Porque ali, sentada na luz, estava a única coisa capaz de fazê-lo seguir em frente.

Valentina.

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