O salão do hotel começava a esvaziar lentamente.
As conversas diminuíam, os últimos brindes eram feitos e os jornalistas recolhiam equipamentos. O coquetel havia sido um sucesso absoluto.
Valentina ainda segurava uma taça quando Natasha se aproximou pela última vez naquela noite.
— Eu disse que hoje o mundo conheceria você.
Valentina soltou uma pequena risada cansada.
— Eu sobrevivi por pouco.
Natasha deu um leve abraço nela.
— Você não sobreviveu. Você dominou.
Ela então olhou para Rafael.
— Cuide bem da minha sócia. Ela ainda vai nos fazer trabalhar muito.
Rafael respondeu com um sorriso discreto.
— Isso eu já percebi.
Natasha se despediu e saiu do salão.
Lucas e Bianca também já estavam prontos para ir embora.
— Eu ainda acho que deveríamos continuar essa noite em algum lugar mais divertido — Lucas comentou.
Bianca ergueu uma sobrancelha.
— Você acha isso toda noite.
Valentina riu.
— Acho que hoje eu já tive emoção suficiente.
Lucas levantou as mãos em rendição.
— Tudo bem, tudo bem. A estrela da noite decide.
Eles se despediram com abraços rápidos.
Quando finalmente ficaram sozinhos perto da saída do hotel, Rafael olhou para Valentina por alguns segundos.
— Cansada?
Ela suspirou, relaxando os ombros.
— Um pouco.
Depois sorriu.
— Mas feliz.
Rafael abriu a porta do carro para ela.
— Então a noite cumpriu o objetivo.
Mansão Montenegro
Quando chegaram em casa, a mansão estava silenciosa.
A iluminação suave do hall deixava o ambiente tranquilo depois do barulho e das luzes do evento.
Valentina tirou os sapatos assim que entrou.
— Acho que meus pés nunca ficaram tão felizes.
Rafael riu baixo enquanto tirava o paletó.
— Você passou a noite inteira em pé.
Ela caminhou alguns passos pela sala e parou olhando pela janela.
São Paulo ainda brilhava lá fora.
Rafael se aproximou por trás.
— Hoje foi importante para você.
Ela assentiu.
— Foi.
Depois virou-se para ele.
— Obrigada por estar lá.
Ele franziu levemente a testa.
— Eu não perderia isso.
Valentina sorriu.
— Mesmo com todos aqueles advogados querendo medir território?
— Aquilo foi entretenimento.
Ela riu.
— Para você talvez.
Rafael então colocou a mão dentro do bolso interno do paletó.
— Eu tenho algo para você.
Valentina inclinou a cabeça.
— Algo?
Ele abriu uma pequena caixa escura.
Dentro havia um anel elegante.
Pedra vermelha profunda, lapidação clássica.
Valentina arregalou os olhos.
— Rafael…
Ele pegou o anel.
— Anel de jurista.
A voz dele era calma.
— Para lembrar que hoje não foi apenas a abertura de um escritório.
Ele segurou a mão dela.
— Foi o começo da sua história.
Valentina ficou alguns segundos sem falar.
Então sussurrou:
— Você não precisava…
— Eu quis.
Ele deslizou o anel no dedo dela.
Valentina observou a pedra refletindo a luz suave da sala.
— É lindo.
Rafael a observava com aquele olhar silencioso que ela já começava a reconhecer.
Orgulho.
Ela levantou os olhos.
— Você realmente acredita que isso pode dar certo?
Ele respondeu sem hesitar.
— Eu acredito em você.
Valentina sentiu algo aquecer dentro do peito.
Ela se aproximou um passo.
— Hoje você foi muito gentil comigo.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Muito?
— Muito.
Ela apoiou as mãos no peito dele.
— Eu deveria agradecer.
Rafael inclinou o rosto um pouco mais perto.
— Eu consigo pensar em algumas formas.
Valentina riu baixo antes de puxá-lo para um beijo.
O beijo começou suave.
Calmo.
Mas carregado de tudo que aquela noite havia significado.
Rafael segurou a cintura dela, aproximando-a mais.
Valentina passou os braços ao redor do pescoço dele.
O mundo lá fora — advogados, jornalistas, negócios — desapareceu.
Ali, naquele momento, havia apenas dois.
Quando o beijo se aprofundou, Rafael encostou a testa na dela por um segundo.
— Hoje foi sua noite.
Ela sorriu contra os lábios dele.
— Ainda não terminou.
O beijo continuou por alguns segundos que pareceram suspensos no tempo.
Valentina sentia o calor das mãos dele na cintura enquanto os dedos dela se prendiam ao colarinho da camisa de Rafael. Havia algo diferente naquele momento. Não era apenas desejo. Era uma sensação mais profunda, mais silenciosa.
Rafael afastou os lábios dos dela devagar, como se estivesse relutante em interromper o momento.
— Você devia descansar — murmurou ele.
Valentina sorriu, ainda muito perto dele.
— Eu poderia dizer o mesmo.
Rafael passou o polegar suavemente pela lateral do rosto dela.
— Eu estou bem.
Ela inclinou a cabeça levemente, observando-o.
— Você também merece comemorar hoje.
Ele soltou um pequeno suspiro divertido.
— Eu comemorei.
Valentina ergueu uma sobrancelha.
— Comemorou?
— Sim.
Ele aproximou novamente o rosto do dela.
— Vendo você vencer.
O coração dela bateu mais forte.
Valentina segurou o rosto dele entre as mãos e o beijou outra vez, agora com menos hesitação.
Rafael respondeu com a mesma intensidade, puxando-a mais perto.
O silêncio da mansão parecia proteger aquele momento. Nenhum ruído, nenhum movimento além deles dois.
Depois de alguns instantes, Rafael a pegou pela mão.
— Venha.
Valentina deixou que ele a conduzisse escada acima.
O quarto estava em meia-luz quando entraram. A cidade ainda brilhava lá fora pelas janelas amplas.
— Eu também tenho uma empresa.
Ela levantou o olhar.
— Então devemos levantar.
Rafael suspirou.
— Você está ficando muito responsável.
— Culpa sua.
Ele finalmente se levantou.
— Vamos tomar café antes que Maria ache que algo aconteceu conosco.
Valentina levantou-se também.
Alguns minutos depois desceram para a sala de jantar.
Maria já organizava a mesa quando os viu.
— Bom dia, senhora. Bom dia, senhor.
— Bom dia, Maria — respondeu Valentina.
O café da manhã estava simples e elegante como sempre.
Rafael pegou o jornal enquanto Valentina mexia no celular rapidamente.
— Você vai para o escritório hoje? — perguntou ele.
— Claro.
Ela levantou a mão mostrando o anel novamente.
— Agora tenho que honrar isso.
Rafael sorriu.
— Eu deixo você no caminho.
— Nosso prédio fica quase ao lado do seu.
— Exatamente.
Algum tempo depois o carro de Rafael parou diante do edifício comercial.
Arthur já aguardava perto da entrada.
Ele abriu a porta para Valentina.
— Bom dia, senhora.
— Bom dia, Arthur.
Rafael inclinou-se um pouco para fora do carro.
— Nos vemos mais tarde.
Valentina assentiu.
— Tenha um bom dia.
Ela saiu do carro e caminhou até a entrada do prédio acompanhada por Arthur.
O elevador subiu silencioso.
Quando as portas se abriram no andar do escritório, ela caminhou até a própria sala.
Arthur permaneceu do lado de fora, como sempre.
Valentina entrou e colocou a bolsa sobre a mesa.
Foi quando o telefone tocou.
Número desconhecido.
Ela franziu a testa.
Atendeu.
— Alô.
Do outro lado da linha, uma voz calma respondeu.
— Minha sobrinha… quanto tempo.
Valentina congelou por um segundo.
O único tio que ela tinha era Rogério… e ele havia desaparecido do país meses atrás.
Então reconheceu a voz.
João Carlos Andrade.
O investigador.
Ela respirou devagar.
— Espere alguns segundos e eu retorno.
Desligou.
Saiu da sala e olhou para Arthur.
— Arthur.
Ele endireitou a postura.
— Senhora?
Valentina sorriu com tranquilidade.
— Estou preparando uma surpresa para o senhor Montenegro. Não relate esse telefonema a ele.
Arthur engoliu seco.
— Sim, senhora.
Ela assentiu e voltou para a sala.
Fechou a porta.
Pegou o telefone novamente.

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