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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 197

— Você é rápido… — murmurou, mais para si do que para ele.

Valentina ajeitou as mãos sobre o colo, como quem organiza a própria dignidade antes de dizer qualquer coisa.

Ela o encarou de novo, os olhos pesando com algo que não era só cansaço.

— Mas você está tentando escapar da minha pergunta. E tudo bem.

Rafael franziu a testa, incomodado.

Valentina se ergueu devagar da poltrona.

O movimento foi lento, porque o corpo ainda reclamava, mas a postura… a postura era pura Valentina Diniz: orgulho erguido como armadura.

Ela andou até a janela, de costas para ele, e ficou olhando o vidro escuro onde a chuva ainda desenhava caminhos tortos.

Quando falou, a voz saiu mais baixa.

— Se você não quiser me contar… não precisa.

Rafael não se mexeu. Mas o quarto pareceu ficar menor.

— Afinal… — ela continuou — isso aqui é um casamento de contrato. Eu não tenho direito de exigir sua vida inteira. E você também não tem obrigação de saber da minha.

Houve uma pausa.

Um silêncio cheio de coisa não dita.

Valentina apertou os dedos na própria palma, como se estivesse segurando a vontade de voltar e perguntar de novo, mais forte, mais direto, mais… vulnerável.

Mas ela não voltou.

Ela escolheu o orgulho.

— Eu não estou te obrigando a nada. — completou, num sussurro.

Rafael respirou fundo.

A mão dele, sobre o lençol, fechou devagar.

Ele não gostava daquela frase.

“Casamento de contrato.”

Não porque fosse mentira.

Mas porque agora soava como distância.

E distância… ele não controlava tão bem quanto o resto.

Valentina deu um passo como quem ia sair do quarto.

Só um.

E foi aí que ele se moveu.

Rápido.

Instintivo.

A mão dele segurou o braço dela.

— Valentina…

Ela parou.

O corpo inteiro tensionou naquele toque.

Ela virou o rosto de lado, sem encará-lo, como se olhar direto fosse ceder.

Rafael abriu a boca.

Fechou.

O maxilar se contraiu.

— Eu… — ele começou, e a palavra ficou presa. — Eu…

Ele gaguejou.

O próprio Rafael Montenegro.

O homem que derruba conselhos com um olhar.

Gaguejando.

Valentina fechou os olhos por um instante.

O coração dela apertou de um jeito feio.

— Tudo bem. — ela disse, cansada, como quem devolve a faca sem fazer barulho. — Eu não vou… eu não vou te pressionar. Me perdoa pelo que aconteceu ontem. Eu prometo que não…

Ela puxou o braço devagar, tentando se soltar sem provocar.

— …não faço isso de novo.

A mão de Rafael não soltou.

Por um segundo, ele ficou preso naquele ponto: a escolha entre o controle e a verdade.

E então ele soltou o braço dela.

Mas não deixou a conversa fugir.

Ele respirou fundo. O peito subiu e desceu como se carregar ar fosse pesado.

Quando falou… a voz saiu diferente.

— Sara morreu dez anos atrás.

Valentina congelou.

Ela não virou de imediato.

Ficou de costas, como se o corpo tivesse medo de mostrar o rosto naquele momento.

O silêncio engoliu tudo.

Rafael continuou, cada palavra saindo como se arrancasse um pedaço dele.

— Não era o nome que você devia ouvir da minha boca. Nem assim. Nem desse jeito.

Valentina apertou os dedos na moldura da janela.

A garganta fechou.

O nome tinha peso.

Peso demais para ser “só delírio”.

CAPÍTULO 197 — O PESO DA CONFISSÃO 1

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