— Você é rápido… — murmurou, mais para si do que para ele.
Valentina ajeitou as mãos sobre o colo, como quem organiza a própria dignidade antes de dizer qualquer coisa.
Ela o encarou de novo, os olhos pesando com algo que não era só cansaço.
— Mas você está tentando escapar da minha pergunta. E tudo bem.
Rafael franziu a testa, incomodado.
Valentina se ergueu devagar da poltrona.
O movimento foi lento, porque o corpo ainda reclamava, mas a postura… a postura era pura Valentina Diniz: orgulho erguido como armadura.
Ela andou até a janela, de costas para ele, e ficou olhando o vidro escuro onde a chuva ainda desenhava caminhos tortos.
Quando falou, a voz saiu mais baixa.
— Se você não quiser me contar… não precisa.
Rafael não se mexeu. Mas o quarto pareceu ficar menor.
— Afinal… — ela continuou — isso aqui é um casamento de contrato. Eu não tenho direito de exigir sua vida inteira. E você também não tem obrigação de saber da minha.
Houve uma pausa.
Um silêncio cheio de coisa não dita.
Valentina apertou os dedos na própria palma, como se estivesse segurando a vontade de voltar e perguntar de novo, mais forte, mais direto, mais… vulnerável.
Mas ela não voltou.
Ela escolheu o orgulho.
— Eu não estou te obrigando a nada. — completou, num sussurro.
Rafael respirou fundo.
A mão dele, sobre o lençol, fechou devagar.
Ele não gostava daquela frase.
“Casamento de contrato.”
Não porque fosse mentira.
Mas porque agora soava como distância.
E distância… ele não controlava tão bem quanto o resto.
Valentina deu um passo como quem ia sair do quarto.
Só um.
E foi aí que ele se moveu.
Rápido.
Instintivo.
A mão dele segurou o braço dela.
— Valentina…
Ela parou.
O corpo inteiro tensionou naquele toque.
Ela virou o rosto de lado, sem encará-lo, como se olhar direto fosse ceder.
Rafael abriu a boca.
Fechou.
O maxilar se contraiu.
— Eu… — ele começou, e a palavra ficou presa. — Eu…
Ele gaguejou.
O próprio Rafael Montenegro.
O homem que derruba conselhos com um olhar.
Gaguejando.
Valentina fechou os olhos por um instante.
O coração dela apertou de um jeito feio.
— Tudo bem. — ela disse, cansada, como quem devolve a faca sem fazer barulho. — Eu não vou… eu não vou te pressionar. Me perdoa pelo que aconteceu ontem. Eu prometo que não…
Ela puxou o braço devagar, tentando se soltar sem provocar.
— …não faço isso de novo.
A mão de Rafael não soltou.
Por um segundo, ele ficou preso naquele ponto: a escolha entre o controle e a verdade.
E então ele soltou o braço dela.
Mas não deixou a conversa fugir.
Ele respirou fundo. O peito subiu e desceu como se carregar ar fosse pesado.
Quando falou… a voz saiu diferente.
— Sara morreu dez anos atrás.
Valentina congelou.
Ela não virou de imediato.
Ficou de costas, como se o corpo tivesse medo de mostrar o rosto naquele momento.
O silêncio engoliu tudo.
Rafael continuou, cada palavra saindo como se arrancasse um pedaço dele.
— Não era o nome que você devia ouvir da minha boca. Nem assim. Nem desse jeito.
Valentina apertou os dedos na moldura da janela.
A garganta fechou.
O nome tinha peso.
Peso demais para ser “só delírio”.

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