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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 193

A respiração de Valentina começou a falhar.

— Isso… — a voz dela saiu baixa — …é do laudo oficial?

— Não. — ele respondeu. — O laudo oficial foi simplificado.

A terceira foto caiu sobre a mesa.

E o mundo parou.

O corpo da mãe.

De lado. Imóvel. O cabelo manchado. O vestido rasgado pelo impacto.

O sangue escorrendo pela lateral do rosto.

A xícara de chá tilintou no pires quando a mão de Valentina tremeu com força pela primeira vez.

— Não… — o sussurro escapou sem permissão.

Ela levou a mão à foto.

Os dedos tocaram a imagem como se pudessem atravessar o papel.

Como se pudessem alcançá-la.

— Mãe… — a palavra saiu quebrada.

A próxima foto revelou o pai.

Preso ao cinto. O corpo inclinado. O rosto ferido. Ainda dentro do carro destruído.

O envelope escorregou da mão dela e caiu sobre a mesa.

As lágrimas vieram sem aviso.

Ela passou a mão pela foto do pai, os dedos tremendo ao seguir o contorno do rosto dele na imagem congelada.

— Eles… — a voz falhou.

O investigador não interrompeu.

Porque sabia: aquele tipo de dor não aceita interrupção.

— Isso… isso não pode… — ela tentou falar, mas a voz se dissolveu.

Ela abaixou a cabeça, os cabelos caindo ao redor do rosto enquanto lágrimas pingavam sobre as fotos espalhadas na mesa de chá.

Pessoas ao redor conversavam. Talheres tilintavam. Uma tarde comum.

E ali, naquela mesa discreta, o mundo dela estava desmoronando em silêncio.

— Senhorita Diniz. — ele disse, baixo, firme. — Ou melhor, senhora Montenegro.Respire.

Ela negou com a cabeça.

— Eu… eu não vi eles assim… — sussurrou. — Nunca me mostraram… nunca…

Ela segurou a foto da mãe com mais força, como se tivesse medo de que até aquela imagem pudesse ser tirada dela.

— Disseram que foi rápido… que foi um acidente… que não houve sofrimento…

A voz quebrou completamente.

As lágrimas escorriam livres agora.

Não havia postura. Não havia máscara. Não havia orgulho.

Apenas filha.

Apenas luto.

Apenas dor crua.

O céu de São Paulo escureceu do lado de fora da casa de chá.

O primeiro trovão ecoou ao longe.

Como um aviso.

Ela respirou fundo, com dificuldade, os dedos ainda apertando a fotografia por um segundo antes de colocá-la de volta sobre a mesa.

Quando falou novamente, a voz estava diferente.

Ferida. Mas firme por baixo da dor.

— O senhor disse que surgiram pistas novas. — disse, encarando-o entre lágrimas. — Quero saber tudo.

Ele ajeitou levemente a postura na cadeira.

— O que posso afirmar, com segurança, é que o caso foi encerrado rápido demais. — respondeu. — Relatórios ignorados. Análises técnicas arquivadas. Testemunhos reduzidos.

Um relâmpago iluminou o céu através do vidro da casa de chá.

— E os freios? — ela perguntou, apontando a foto.

— Apresentavam sinais de intervenção. — disse ele. — Não falha espontânea como foi colocado no relatório final.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— Então não foi um acidente. — ela concluiu.

Não era uma pergunta.

Era sentença.

Ele sustentou o olhar.

— Tudo indica que não.

A mão dela voltou à foto do pai.

— O senhor disse que há pessoas importantes por trás. — a voz dela saiu baixa, mas afiada. — Quero nomes.

Ele respirou fundo.

— Infelizmente, essa informação eu ainda não tenho. — respondeu com honestidade controlada. — Mas, analisando o caso mais a fundo, notei que todos os documentos relevantes foram deixados de lado e o processo foi encerrado com uma velocidade incomum para um acidente com vítimas de alto perfil.

Outro trovão ecoou.

Mais próximo.

A chuva começou a cair forte contra os vidros.

Valentina limpou as lágrimas com o dorso da mão, mas elas continuavam vindo, silenciosas, persistentes.

— Continue investigando. — disse.

Ele a observou com atenção.

— Isso pode envolver pessoas poderosas.

Ela levantou os olhos.

E ali não havia mais apenas dor.

Havia algo nascendo.

Algo frio.

Algo determinado.

— Quero que ache quem foi responsável pela morte dos meus pais. — disse, cada palavra firme apesar da voz embargada. — Custe o que custar. Eu pago o que for necessário.

Ela apertou a fotografia contra a mesa.

Os dedos brancos. A mão tremendo. As lágrimas ainda escorrendo.

Mas o olhar…

O olhar já não era apenas de uma filha em luto.

Era de uma mulher que acabara de descobrir que sua dor tinha um culpado.

Um raio iluminou o céu.

Por um segundo, a luz branca refletiu nas lágrimas que caíam pelo rosto dela.

— Eu quero essa pessoa na minha frente. — sussurrou.

— Sim, senhora.

A resposta do investigador veio baixa.

Valentina não disse mais nada por alguns segundos.

Apenas abriu a bolsa.

Os dedos ainda tremiam.

Ela puxou a carteira com movimentos mecânicos, como se o corpo estivesse funcionando sozinho enquanto a mente ainda estava presa às imagens espalhadas sobre a mesa minutos antes.

Ela retirou um cartão de crédito e o colocou sobre a mesa, empurrando-o lentamente na direção dele.

— Se precisar de mais recursos… — a voz saiu rouca, mas firme — este cartão está em nome de uma amiga. Não será rastreável com facilidade.

O investigador analisou o cartão por um segundo a mais do que o normal.

Depois o pegou.

— Obrigado, senhora Montenegro.

O sobrenome caiu no ar como uma lâmina silenciosa.

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