Bianca segurava a xícara com as duas mãos, mas não bebia. O olhar estava fixo em Valentina, avaliando cada microexpressão, como se medisse até onde podia ir sem quebrá-la.
— Você devia ter visto o Rafael. — disse, por fim.
Valentina ergueu os olhos devagar.
— Visto… como?
Bianca respirou fundo.
— Na festa. Quando você sumiu.
O ar pareceu mudar ao redor da mesa.
— Isabella apareceu gritando. — Bianca continuou. — Disse que tinha te visto entrar num quarto com um segurança.
Valentina franziu a testa.
— Eu… não lembro de nada.
— Eu sei. — Bianca assentiu. — Ela levou jornalistas. Convidados. Segurança. Fez questão de arrastar meio salão até o corredor.
Valentina levou a xícara aos lábios, bebendo um gole pequeno. As mãos estavam firmes demais para alguém que estava tranquila.
— Quando abriram a porta… — Bianca fez uma pausa curta — …você estava deitada na cama.
O coração de Valentina deu um salto seco.
— Sozinha?
— Você. — Bianca confirmou. — Desacordada.
— Os seguranças… no chão. Ensanguentados.
— E o Enzo sentado numa poltrona, esperando.
Valentina piscou algumas vezes.
— Então… — a voz saiu mais baixa — …o Enzo me salvou de novo?
— Salvou. — Bianca disse, sem hesitar. — Ele percebeu que tinha algo errado antes de todo mundo.
Ela se inclinou um pouco para frente.
— Eu também senti. Estava preparada para qualquer coisa.
— Mas a Isabella estava fora de si. Gritava que você tinha traído o Rafael.
Valentina fechou os olhos por um instante.
— Eu não lembro de nada.
— Imagino. — Bianca respondeu. — Mas o que veio depois… você precisava saber.
Valentina abriu os olhos.
— O Rafael entrou naquele quarto… — Bianca continuou — …e o ar mudou.
— Ele não gritou. — acrescentou. — Não fez cena.
— Ele ficou… perigoso.
Valentina engoliu em seco.
— Um dos seguranças falou. — Bianca disse. — Disse que a Isabella mandou ele fazer “coisas” com você.
— Que era pra confirmar a traição.
O maxilar de Valentina travou.
— Sabe o que o seu marido fez? — Bianca perguntou.
Valentina respirou fundo.
— Não…
— Ele deu um tapa na Isabella. — Bianca respondeu, direta. — Na frente de todo mundo.
— E disse: “Quero a família Moretti falida em menos de meia hora.”
Valentina sentiu o estômago afundar.
— Em cinco minutos. — Bianca corrigiu. — Cinco.
— O telefone da Isabella tocou. Era o pai.
— Ele disse que estavam falidos. Que ela estava deserdada.
— Ela caiu no chão.
Valentina soltou o ar devagar.
— E não acabou aí. — Bianca continuou. — Rafael virou para os policiais e disse:
— “Deixem ela trancada com esses dois. Já que ela queria fazer isso com a minha esposa… que experimente.”
Valentina fechou os olhos.
Não por medo.
Por impacto.
— Depois disso… — Bianca suavizou o tom — …ele foi até você. Te pegou no colo. Saiu direto para o hospital.
Valentina abriu os olhos novamente.
— Ele só te largou horas depois. — Bianca completou. — Quando teve certeza de que você estava bem. Aí voltou pra cá.
O silêncio caiu entre as duas.
Valentina olhou para o chá, para a porcelana delicada, para as próprias mãos.
— Ele… fez tudo isso… enquanto eu dormia? — perguntou, quase para si mesma.
Bianca assentiu.
— Fez.
Valentina fechou os dedos ao redor da xícara.
O coração batia diferente agora.
— Eu não sei o que dizer. — murmurou.
Bianca sorriu de leve.
— Eu sei. Tudo foi surpreendente até para mim.
O som de passos suaves anunciou a presença antes mesmo da voz.



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