Os dedos dela apertavam a camisa dele com força.
O corpo dela tremia.
E Rafael a segurou mais.
Como se dissesse, sem dizer:
Eu estou aqui. Eu aguentei o mundo lá fora. Agora você pode desabar.
Valentina chorou no peito dele até ficar sem ar.
— Eu tive medo… — ela sussurrou entre soluços.
Rafael respirou fundo, e por um segundo, o controle dele vacilou.
— Eu devia ter ido com você. — disse. — Eu devia ter te puxado pra perto e te carregado no colo ali mesmo, na frente de todo mundo, e eu não ligaria se o mercado caísse dez pontos.
— Você estava tonta. Alguém colocou algo na sua bebida. — ele disse, direto. — Você não tem culpa de nada.
Valentina sentiu a garganta fechar.
— Eu… eu me senti tão burra. Tão… — ela apertou os lábios, envergonhada. — Eu confiei porque disseram “o senhor pediu”.
Rafael soltou uma risada curta.
Sem humor.
— Ninguém mais vai conseguir usar meu nome pra encostar em você. — ele falou, com uma calma que assustava. — Ninguém.
Valentina respirou fundo, tentando se recompor, mas o corpo ainda estava fraco. O cansaço vinha em ondas. O remédio… a droga… ainda fazia o mundo parecer distante.
Ela encostou a testa no ombro dele.
— Eu estou com medo de fechar os olhos. — confessou.
Rafael passou a mão nos cabelos dela, devagar.
Um gesto de possessividade suave. De promessa sem palavra.
— Então não fecha. — respondeu. — Eu vou ficar aqui.
Valentina levantou o rosto, quase infantil de novo.
— Você ficou?
Rafael não respondeu na hora.
O silêncio disse o suficiente.
Sim.
Ele ficou.
A noite inteira, se fosse preciso.
Valentina engoliu o choro de volta.
— Eu não sei o que aconteceu lá fora… — ela sussurrou. — Eu só lembro da porta… e depois… nada.
Rafael encarou o rosto dela.
O olhar dele parecia decidir.
E então ele escolheu a verdade possível.
Não a verdade completa.
— O que aconteceu lá fora… eu resolvi. — disse.
Valentina franziu a testa.
— Resolveu como?
Rafael apertou o maxilar.
— Do meu jeito.
Valentina ia perguntar mais.
Mas naquele segundo, o cansaço venceu. As pálpebras pesaram. O corpo afundou no colchão de novo como se pedisse permissão para desistir de ficar acordada.
Rafael ajudou, puxando o lençol por cima dela.
Valentina segurou o punho dele com a mão fraca.
— Rafael…
Ele parou.
— Não me deixa sozinha. — ela pediu, num sussurro que não tinha orgulho nenhum.
Rafael olhou para a mão dela segurando a dele.
E a resposta veio simples.
— Eu não vou.
Valentina fechou os olhos.
Dessa vez, não por fraqueza.
Por confiança.
Rafael ficou ali, de pé, por alguns segundos, observando a respiração dela regular.
E quando teve certeza de que ela dormia de verdade — ele se virou.
Sem pressa.
Sem barulho.
O quarto estava silencioso.
Mas dentro dele, a tempestade era outra.
Rafael pegou o paletó.
Ajustou os punhos da camisa.
A gravata azul ainda pendia frouxa, como uma lembrança irônica do homem “controlado” que ele fingia ser em público.
Ele a pegou.
E a amarrou de novo.
Dessa vez, não por imagem.
Por decisão.
Saiu do quarto e fechou a porta com cuidado.
Desceu as escadas da mansão Montenegro como quem desce para uma guerra.
A casa parecia dormir.
Mas Rafael não dormia há muito tempo.
O chão de mármore refletia sua sombra longa.
E, conforme ele caminhava em direção ao escritório, a imagem de Valentina inconsciente na cama — coberta, frágil, queimava atrás dos olhos dele como um juramento.
Quando chegou diante da porta do escritório de Augusto, não hesitou.
A mão dele pousou na maçaneta.
E a voz, dentro da cabeça, não era mais dúvida.
Era sentença.
Agora vocês vão aprender a diferença entre poder… e permissão.
Ele abriu a porta.
E entrou.
O escritório estava mergulhado em penumbra.
A única luz vinha do abajur baixo ao lado do sofá de couro escuro, lançando sombras duras nas paredes forradas de madeira. O cheiro era denso. Charuto caro. Álcool envelhecido. Poder antigo.
Augusto Montenegro estava sentado, as pernas afastadas, o corpo relaxado demais para alguém que aguardava o filho.
Na mesa baixa à frente dele:
uma garrafa de uísque aberta,
dois copos de cristal,
e um chicote preto, largo, perfeitamente alinhado ao lado da garrafa.
O símbolo nunca mudava.
Sempre que Rafael “errava”, aquele era o ritual.
A porta se abriu.
Rafael entrou.
Sem abaixar a cabeça.
Sem hesitar.
Sem pedir permissão.
Augusto não se levantou.
Apenas tragou o charuto lentamente, soltando a fumaça com desprezo calculado.
— Demorou. — disse, por fim. — Achei que não ia ter correção hoje.
Rafael fechou a porta atrás de si.
O som ecoou pelo escritório.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário