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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 183

Os dedos dela apertavam a camisa dele com força.

O corpo dela tremia.

E Rafael a segurou mais.

Como se dissesse, sem dizer:

Eu estou aqui. Eu aguentei o mundo lá fora. Agora você pode desabar.

Valentina chorou no peito dele até ficar sem ar.

— Eu tive medo… — ela sussurrou entre soluços.

Rafael respirou fundo, e por um segundo, o controle dele vacilou.

— Eu devia ter ido com você. — disse. — Eu devia ter te puxado pra perto e te carregado no colo ali mesmo, na frente de todo mundo, e eu não ligaria se o mercado caísse dez pontos.

— Você estava tonta. Alguém colocou algo na sua bebida. — ele disse, direto. — Você não tem culpa de nada.

Valentina sentiu a garganta fechar.

— Eu… eu me senti tão burra. Tão… — ela apertou os lábios, envergonhada. — Eu confiei porque disseram “o senhor pediu”.

Rafael soltou uma risada curta.

Sem humor.

— Ninguém mais vai conseguir usar meu nome pra encostar em você. — ele falou, com uma calma que assustava. — Ninguém.

Valentina respirou fundo, tentando se recompor, mas o corpo ainda estava fraco. O cansaço vinha em ondas. O remédio… a droga… ainda fazia o mundo parecer distante.

Ela encostou a testa no ombro dele.

— Eu estou com medo de fechar os olhos. — confessou.

Rafael passou a mão nos cabelos dela, devagar.

Um gesto de possessividade suave. De promessa sem palavra.

— Então não fecha. — respondeu. — Eu vou ficar aqui.

Valentina levantou o rosto, quase infantil de novo.

— Você ficou?

Rafael não respondeu na hora.

O silêncio disse o suficiente.

Sim.

Ele ficou.

A noite inteira, se fosse preciso.

Valentina engoliu o choro de volta.

— Eu não sei o que aconteceu lá fora… — ela sussurrou. — Eu só lembro da porta… e depois… nada.

Rafael encarou o rosto dela.

O olhar dele parecia decidir.

E então ele escolheu a verdade possível.

Não a verdade completa.

— O que aconteceu lá fora… eu resolvi. — disse.

Valentina franziu a testa.

— Resolveu como?

Rafael apertou o maxilar.

— Do meu jeito.

Valentina ia perguntar mais.

Mas naquele segundo, o cansaço venceu. As pálpebras pesaram. O corpo afundou no colchão de novo como se pedisse permissão para desistir de ficar acordada.

Rafael ajudou, puxando o lençol por cima dela.

Valentina segurou o punho dele com a mão fraca.

— Rafael…

Ele parou.

— Não me deixa sozinha. — ela pediu, num sussurro que não tinha orgulho nenhum.

Rafael olhou para a mão dela segurando a dele.

E a resposta veio simples.

— Eu não vou.

Valentina fechou os olhos.

Dessa vez, não por fraqueza.

Por confiança.

Rafael ficou ali, de pé, por alguns segundos, observando a respiração dela regular.

E quando teve certeza de que ela dormia de verdade — ele se virou.

Sem pressa.

Sem barulho.

O quarto estava silencioso.

Mas dentro dele, a tempestade era outra.

Rafael pegou o paletó.

Ajustou os punhos da camisa.

A gravata azul ainda pendia frouxa, como uma lembrança irônica do homem “controlado” que ele fingia ser em público.

Ele a pegou.

E a amarrou de novo.

Dessa vez, não por imagem.

Por decisão.

Saiu do quarto e fechou a porta com cuidado.

Desceu as escadas da mansão Montenegro como quem desce para uma guerra.

A casa parecia dormir.

Mas Rafael não dormia há muito tempo.

O chão de mármore refletia sua sombra longa.

E, conforme ele caminhava em direção ao escritório, a imagem de Valentina inconsciente na cama — coberta, frágil, queimava atrás dos olhos dele como um juramento.

Quando chegou diante da porta do escritório de Augusto, não hesitou.

A mão dele pousou na maçaneta.

E a voz, dentro da cabeça, não era mais dúvida.

Era sentença.

Agora vocês vão aprender a diferença entre poder… e permissão.

Ele abriu a porta.

E entrou.

O escritório estava mergulhado em penumbra.

A única luz vinha do abajur baixo ao lado do sofá de couro escuro, lançando sombras duras nas paredes forradas de madeira. O cheiro era denso. Charuto caro. Álcool envelhecido. Poder antigo.

Augusto Montenegro estava sentado, as pernas afastadas, o corpo relaxado demais para alguém que aguardava o filho.

Na mesa baixa à frente dele:

uma garrafa de uísque aberta,

dois copos de cristal,

e um chicote preto, largo, perfeitamente alinhado ao lado da garrafa.

O símbolo nunca mudava.

Sempre que Rafael “errava”, aquele era o ritual.

A porta se abriu.

Rafael entrou.

Sem abaixar a cabeça.

Sem hesitar.

Sem pedir permissão.

Augusto não se levantou.

Apenas tragou o charuto lentamente, soltando a fumaça com desprezo calculado.

— Demorou. — disse, por fim. — Achei que não ia ter correção hoje.

Rafael fechou a porta atrás de si.

O som ecoou pelo escritório.

CAPÍTULO 183 — EU SEI DE TUDO 1

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