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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 162

Valentina acordou com a estranha sensação de silêncio demais.

Não era o silêncio confortável da madrugada. Era outro. Um vazio específico demais para ser ignorado.

Virou o rosto devagar, ainda envolta pelos lençóis macios, esperando encontrar o corpo ao lado. O calor. O peso familiar da presença que, na noite anterior, tinha sido abrigo e risco ao mesmo tempo.

Nada.

O lado da cama estava intacto.

Ela franziu levemente a testa, sentando-se com calma, sem pressa para reagir. O quarto ainda estava em meia-luz, as cortinas parcialmente abertas deixando entrar o cinza suave da manhã paulistana. O cheiro dele ainda estava ali — sabonete, algo amadeirado, conforto perigoso.

Então ouviu.

A voz baixa.

Vinha da sacada.

Valentina levantou-se sem fazer barulho, caminhando até perto da porta de vidro, sem se expor totalmente. Rafael estava de costas, o celular encostado ao ouvido, o corpo relaxado demais para alguém que estivesse tendo uma conversa simples.

— Espere um mês. — ele disse, firme, sem rodeios. — Coloque as ações da Fênix para abrir capital.

Valentina congelou.

Do outro lado da linha, a resposta veio abafada, mas o tom era claro o suficiente para atravessar o vidro.

— Um mês é pouco tempo, senhor.

Rafael apoiou a mão no parapeito da sacada, o olhar perdido na cidade que despertava abaixo.

Houve uma breve pausa.

— Faça exatamente como eu disse. — eu tenho um mês para virar esse jogo. completou. — Sem antecipar movimentos.

Ele encerrou a ligação.

No mesmo instante, Valentina deu um passo para trás.

Tarde demais.

Rafael virou o rosto.

Os olhares se encontraram através do vidro.

Por um segundo, nenhum dos dois disse nada.

Ele entrou no quarto com a naturalidade de quem já sabia que tinha sido ouvido.

— Bom dia. — disse, um meio sorriso surgindo no canto da boca.

Valentina cruzou os braços, ainda envolta pelo lençol.

— Bom dia. Desculpa não queria ter ouvido, mas acordei e ouvi sua voz.

Rafael aproximou-se sem pressa, como se aquele espaço ainda fosse exclusivamente deles. Parou à frente dela e a beijou — simples, quente, íntimo. Um beijo de quem não estava pedindo nada. Apenas confirmando.

— Tudo bem, não era nada demais. Dormiu bem? — perguntou.

— Dormi. — ela respondeu, sincera. — Mas acordei sozinha.

— Eu precisava resolver uma coisa. — disse ele, sem se justificar demais.

Valentina sorriu de canto.

— Eu preciso ir ao banheiro.

— Tudo bem. — Rafael respondeu, observando-a com atenção. — Vou pedir para trazerem o café da manhã aqui no quarto.

Ela assentiu e seguiu para o banheiro.

O vapor ainda pairava no ar. A toalha usada pendia no gancho. O espelho denunciava que ele já tinha tomado banho. Valentina ligou o chuveiro e deixou a água quente cair sobre os ombros, tentando organizar os pensamentos — tarefa inútil.

Quando saiu, envolveu-se no primeiro tecido que encontrou.

Um roupão.

Dele.

Grande demais. Pesado. Cheirando exatamente como ele.

Ao voltar para o quarto, encontrou Rafael sentado na beirada da cama, já vestido com uma camisa clara e calça social. O olhar dele percorreu o corpo dela sem disfarce algum.

— Isso fica perigosamente bom em você. — comentou.

Valentina sorriu e caminhou até ele.

— Quer que eu peça para trazerem algumas roupas suas? — ele perguntou. — Deixar aqui.

Ela parou bem à frente dele.

— Não.

Antes que ele entendesse o motivo, Valentina sentou-se no colo dele, as pernas encaixando naturalmente, os braços repousando nos ombros largos.

Rafael levou meio segundo para reagir. Depois, as mãos foram para a cintura dela, firmes, presentes.

— Vamos fazer assim. — ela disse, olhando diretamente nos olhos dele. — Eu não quero sua mãe atormentando minha vida. Não quero guerra aberta. Não quero espetáculo.

Ele franziu o cenho, atento.

— Então…

— Vamos deixar cada um no seu lugar. — continuou. — Publicamente. Oficialmente. Como sempre foi.

Rafael ficou imóvel.

— E entre nós?

Ela inclinou levemente o rosto, um sorriso lento, consciente.

— Entre nós… — disse — a gente fica assim.

Ele respirou fundo.

— Você está me pedindo para quê, exatamente? — perguntou, a voz baixa, controlada demais.

— Que não misture as coisas. — respondeu. — Que não prometa o que não pode cumprir. Que não me exponha.

Rafael a observou por alguns segundos longos.

— Você quer que eu seja seu amante escondido? — perguntou, direto.

Valentina sorriu abertamente agora. Sem ironia. Sem medo.

— Sim.

A palavra ficou no ar.

Rafael soltou um riso baixo, incrédulo.

CAPÍTULO 162 — O QUE FICA ENTRE AS PAREDES 1

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