O sol do fim de tarde pintava o céu em tons de ouro e cobre quando o carro preto parou diante da varanda principal da fazenda. O calor da terra subia em ondas suaves, e o ar trazia aquele cheiro inconfundível de grama cortada, leite fresco e saudade boa.
Lila estava sentada nos degraus da varanda, com as pernas cruzadas, o short jeans curto mostrando o brilho dourado da pele que o sol insistia em beijar. A camisa de malha branca, leve e simples, caía sobre o corpo com um charme despretensioso. O cabelo, preso num rabo de cavalo alto, deixava o rosto limpo, iluminado, e o sorriso calmo que ela trazia parecia conversar com o fim de tarde.
Ao lado dela, Catarina estava recostada na cadeira de balanço, igualmente à vontade. Usava também um short jeans desfiado, uma blusa de algodão bege e óculos escuros que pendiam preguiçosamente na ponta do nariz. As duas riam de alguma piada antiga, dividindo um copo de limonada e a serenidade de quem já tinha encontrado seu lugar no mundo.
Mas a paz durou pouco e, francamente, nunca dura quando Magnólia e Fiorella estão por perto.
— Meu Deus do céu! — exclamou Fiorella assim que desceu do carro, equilibrando-se num salto bloco caramelo e num lenço de seda amarrado ao pescoço com um nó preciso. — Essa fazenda é mesmo o paraíso! Até o ar daqui tem cheiro de poesia!
— Poesia, o escambau! — retrucou Magnólia, tentando segurar uma cesta de vime e três sacolas de grife. — Ajuda com as malas, Fiorella! Eu tô a um passo de largar tudo e morar nesse banco da entrada!
Lila se levantou num pulo, já rindo.
— Por Deus, olha só essa menina ! — exclamou, Magnólia encarando Lila com os olhos brilhando.
Em segundos, Lila foi engolida por dois braços firmes, cheios de perfume caro, lavanda e memórias de infância.
— Olha só pra você, minha flor! — disse Fiorella, apertando-lhe o rosto entre as mãos finas e elegantes, com as unhas pintadas de vermelho rubi. — Tá com brilho de mulher feliz… e olha esse brilho nos olhos! Minha princesa, esse ar no campo te faz muito bem.
— Ar da fazenda, ou o meu neto? — completou Magnólia com um olhar malicioso.
— Vovó! — disse Catarina descendo as escadas e abraçando a matriarca.
— Minha neta querida! Nossa como está linda, estou tão feliz porque o seu peão bonitão finalmente ter criado coragem. Eu estava a ponto de ter uma conversinha séria com ele.
— Mas não precisou Magnólia, graças a Deus! E você Lila, mamãe, ainda não consigo acreditar!
— Pois é vovó… — Lila acariciou o ventre com ternura.
Fiorella fungou, com aquele jeito teatral que só ela tinha.
— Ah se eu tivesse trinta anos a menos…
— Deixa de falar bobagem mulher, ontem mesmo você estava no quarto daquele capitão gostosão.
Lila arregalou os olhos e corou, já Catarina gargalhou alto e se aproximou ainda mais das duas dizendo:
— Vocês não mudam nunca, né?
— Mudamos sim, querida — respondeu Fiorella, ajeitando os óculos de armação dourada. — Agora estamos mais sentimentais.
— Principalmente depois desses quinze dias de muiito amor em pleno alto mar.
As duas senhoras riram em coro, e antes que Lila respondesse, a voz grave e calorosa de Taylor surgiu vindo do caminho de cascalho.
Ele vinha do celeiro, com o corpo desenhado sob a camisa azul clara de algodão e o jeans escuro gasto de tanto uso. O sol acentuava os contornos do rosto e o brilho dourado nos cabelos. Assim que o viu, Magnólia soltou um grito digno de novela.
— Olha o meu neto preferido!
— O homem mais bonito deste hemisfério! — completou Fiorella, abanando o rosto com um lenço.
Taylor deu uma risada curta, com o olhar cheio de ternura, e abraçou as duas ao mesmo tempo, cercado de cheiro de perfume francês e emoção de família.
— Sejam bem-vindas, vovós. — disse com aquele sorriso que desarmava qualquer um. — A fazenda é de vocês.
— A fazenda é da Lila agora, querido! — corrigiu Magnólia, piscando para ele. — Você é só o cowboy mais sortudo desse estado!
As risadas explodiram pela varanda.
Maurício surgiu no meio da confusão surgiu Maurício com o jeans ajustado no corpo e o sorriso meio encabulado.
Ele trazia uma pilha de caixas nos braços e, quando percebeu as duas senhoras elegantes o fitando com interesse, parou no meio do caminho, sem saber se sorria ou pedia licença.
Magnólia inclinou levemente a cabeça, e um brilho malicioso atravessou os olhos claros.
— Finalmente! — exclamou, pousando as mãos na cintura. — Finalmente esse peão criou coragem pra pedir a mão da minha neta!
Maurício ficou rubro num instante.
— D-dona Magnólia… eu… — começou, sem saber se ria ou se cavava um buraco pra sumir.
Fiorella, no entanto, foi ainda mais rápida. Ela ergueu o queixo com elegância, o lenço de seda balançando na brisa, e percorreu o peão de cima a baixo com um olhar de especialista. O sorriso dela era puro charme napolitano.
— Ora, ora… — disse, saboreando as palavras. — As nossas netas têm mesmo muito bom gosto. E, pelo que vejo, estão muito bem servidas.
Lila, que até então tentava disfarçar o riso, corou na mesma hora.

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