Os dois permaneceram abraçados curtindo o calor de ambos os corpos quando Taylor aproximou de novo a boca da barriga e, com a voz mais boba do dia:
— Escutou, fazendinha? Papai e mamãe se amam. Então fica à vontade, mas tenta não chutar a costela da mamãe às três da manhã, combinado? — fez uma pausa dramática. — Se bem que… pode chutar o pai, ele merece quando comer o último pedaço de bolo.
Lila gargalhou, um som claro que dançou pelo quarto.
— Eu quero ver você acordar de três em três horas — ela disse. — Sem reclamar, senhor “funcionário do mês”.
— Eu vou acordar cantando — ele garantiu. — “Bebezinho, bebezinho, deixa o papai fazer café…” — cantou desafinado de propósito, arrancando outra risada dela. — Eu passo café, esquento leite, canto hino, faço dancinha de rodeio. Só não me peça para discutir cor de cortina às seis da manhã.
— Cortina é o mínimo — ela provocou, apertando a cintura dele. — Tem também lista de convidados, flores, música, e…
— E eu dizendo “sim, amor”, “claro, amor”, “perfeito, amor” — ele emendou, rindo. — O noivo mais obediente do hemisfério sul.
— Isso! — Lila bateu palminhas de brincadeira. — E quando eu quiser doce de leite às onze e cinquenta e nove da noite?
— Eu cavalgo até a vila — ele respondeu sem hesitar — e volto com dois potes e uma colher para cada. Três, se o chefe aqui pedir.
Ele pousou outro beijo na barriga, como ponto final num decreto. Lila pensou que nunca, jamais, se cansaria de ver aquela cena: o homem grande, de mãos grandes, tornando-se delicado por amor.
O bebê, ou a imaginação bonita dos dois, respondeu novamente estremecendo dentro do ventre de Lila, fazendo os seus olhos azuis marejarem. Taylor olhou divertido para ela e perguntou:
— Aconteceu alguma coisa, princesa? — a voz de Taylor veio suave, carregada de curiosidade e ternura.
Lila não respondeu de imediato. Os olhos dela marejaram de repente, como se algo sagrado tivesse acabado de acontecer dentro dela. Com as mãos trêmulas, ela segurou a dele e, num gesto quase reverente, guiou os dedos grandes e calejados até o próprio ventre.
— Aqui… — sussurrou, a voz embargada. — Sente…
Por um instante, o mundo pareceu parar. O vento cessou, o som dos pássaros ficou distante, e o único som que existia era o da respiração deles dois, curta, acelerada, misturada com o espanto.
Então veio. Um leve estremecer. Um toque de vida, pequeno, mas poderoso o bastante para mudar tudo.
Taylor prendeu o ar. Os olhos dele se arregalaram, como se tivesse acabado de testemunhar um milagre. O homem grande, o cowboy de quase dois metros, dono de uma força que enfrentava tempestades, ficou imóvel, vulnerável, reverente, desarmado.
— Ele… — murmurou, a voz falhando. — Ele mexeu…
Um riso trêmulo escapou dele, misturado com o som rouco da emoção que o atravessava. As lágrimas vieram antes que ele tentasse contê-las. Lila o observava, com o peito apertado, e achou que jamais esqueceria aquele instante: o homem que ela amava, ajoelhado ao lado dela, chorando como quem acabava de tocar o próprio milagre.
— Meu Deus, ele realmente mexeu… — ele repetiu, encostando a testa no ventre dela, com o sorriso se abrindo entre as lágrimas.
Lila acariciou seus cabelos, e sua voz saiu fraca, tomada pela emoção.
— Oi, meu bebê… — ela sussurrou, com o olhar perdido entre o amor e o assombro. — Papai e mamãe te amam muito, viu?
Taylor ergueu o rosto, com os olhos marejados, e beijou de novo a barriga, um beijo mais demorado, como se selasse ali a promessa mais pura de todas.
Lila sorriu e com a voz estremecida disse:
— Sabe o que mais eu quero? — ela perguntou, com um brilho travesso.
— Medo… — ele sorriu. — Mas fala.
— Quero um café da manhã na varanda. — disse, enumerando nos dedos. — Panquecas, frutas, e você me prometendo que hoje não vai inventar de sair cavalgando feito maluco antes de me abraçar por meia hora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário