— Francisca, sou eu, Lucy. Abre a porta, vai. Não se preocupe, o senhor saiu para correr cedo. Não volta antes de uma hora.
Soltei um longo suspiro, sentindo o coração voltar ao lugar.
Ainda bem, não era o grande chefe. Senão…
Abri a porta e dei de cara com Lucy, sorrindo como se fosse primavera. Fiquei tão emocionada que os olhos se encheram de lágrimas.
— Lucy, você é mesmo minha salvadora.
Lucy me lançou aquele sorriso de tia satisfeita, largou o sacolão no chão e foi tirando as coisas de dentro uma por uma.
— Trouxe esse vestido do seu apartamento pra você — disse ela, me entregando. — E nessa sacolinha estão suas roupas íntimas. Vista tudo direitinho. Ah, aqui estão seus produtos de maquiagem. Não reparei quais você usa mais, então trouxe todos. Depois que usar, me devolve que levo de volta para você.
Olhando a bolsa lotada, pesada como se tivesse uns cinco quilos só de maquiagem, fiquei comovida, quase beijei a testa suada de Lucy.
— Obrigada, Lucy, você salvou minha vida. Se não fosse por você, eu ia ter que fazer um juramento trágico.
Lucy riu ainda mais doce, me deu um tapinha de leve no braço, fingindo brava:
— Nada de falar isso, hein? Lucy já está velha, não aguenta ouvir essas coisas.
Os olhos dela não paravam de circular entre meu pescoço e meus braços, como se admirasse uma joia rara.
Mesmo quando precisei me trocar, ela relutava em sair de perto.

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