Ouvindo o tom orgulhoso de Cecí ao meu lado, meus olhos não paravam quietos: iam e vinham, curiosos, acompanhando as barrigas dos homens que passavam pelo bar, tentando imaginar como seria aquele tal abdômen trincado, parecido com um “tábua de lavar roupas”, do qual ela tanto falava.
Víctor Laranjeira era magro, com um índice baixíssimo de gordura corporal, mas sem abdômen definido. Era aquele tipo de magreza simples: não tinha gordura, mas também não tinha músculos marcados.
Então, tirando as imagens que já tinha visto na internet, eu nunca tinha visto, na vida real, um abdômen masculino realmente definido.
Meio tonta, mas ainda com um fio de consciência, percebi que já tinha bebido demais. Resolvi que iria ao banheiro e depois voltaria para casa.
— Quer que eu vá com você? — Cecí sugeriu, rindo. — Uma mulher linda, bêbada, andando sozinha num bar é perigoso. Vai que aparece um lobo faminto por aí...
Movida pelo impulso competitivo do álcool, levantei-me, reunindo toda a energia para manter o equilíbrio, e fiz um gesto com a mão:
— Não precisa, eu consigo sozinha.
Com grande esforço, arregalei os olhos, procurando o banheiro com o símbolo do vestidinho. Depois de uma jornada quase épica, consegui resolver o meu problema sem maiores sustos. Mas, ao sair, não consegui encontrar o caminho de volta.
Porque, de repente, uma parede preta, exalando um cheiro fresco de pinho, bloqueava totalmente meu caminho.
O mais estranho era que essa parede parecia ter vida própria: eu tentava ir para um lado, ela se movia junto comigo, impedindo qualquer tentativa de desvio.
Era impossível escapar daquela barreira.
Será que eu tinha caído naquela tal “pegadinha de labirinto” das lendas urbanas?
— Sai da frente, parede chata, eu quero ir pra casa — resmunguei, tentando empurrar a parede à minha frente.
Só que, cambaleando, errei o alvo e acabei tocando... uma tábua de lavar roupas. Ou melhor, um abdômen tão definido que parecia ter sido esculpido a facão.
De repente, ecoaram na minha cabeça as palavras de Cecí: “Dezenove anos, abdômen mais reto que tábua de lavar, duro feito pedra...”

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