Pelo visto, a febre dele não era pouca coisa.
Junior Lacerda estava ajoelhado no chão, ofegante e sem muita cortesia, disse:
— Senhora, o Diretor Gomes ficou uma noite inteira na chuva só para procurar a senhora, agora está com febre alta e mesmo assim insiste em esperar aqui, só pra ter certeza de que a senhora está segura. Qualquer assunto de casal pode ser resolvido em casa, por que expor o Diretor Gomes ao constrangimento diante de todos? Ele faz tanto pela senhora, se a senhora não se comove, eu, pelo menos, fico com pena.
Meus olhos brilharam friamente, e minha voz saiu naturalmente gélida.
— Assistente Junior, o senhor já ouviu falar que não se deve opinar sem saber de tudo? O que acontece entre mim e Víctor Laranjeira é um assunto nosso, não cabe ao assistente se intrometer, muito menos me acusar. E nem venha falar de sacrifício, ele se esforça, mas eu também não? Você se comove com o que ele faz, mas e os meus esforços, vão para o lixo? Leve seu chefe daqui imediatamente, senão vou chamar a segurança.
Junior Lacerda apertou os lábios, virou-se e chamou outro rapaz. Juntos, tiraram Víctor Laranjeira dali.
Resolvido o problema externo, era hora de tratar dos conflitos internos.
Aproximei-me dos que mais falavam alto. Dois dos mais espertos, percebendo o perigo, saíram correndo.
Restaram os mais teimosos, com aquele ar de valentia tola, insistindo em servir de instrumento para os outros.
Dei uma volta ao redor deles, com um sorriso irônico:
— Vocês já estão há tempos na empresa. Sabem tão bem da minha vida pessoal, devem saber também o que acontece com quem espalha boatos falsos, não é? Usem a cabeça pra pensar, não pra ser manipulados por quem quer se livrar de vocês.
Só fica na InovaBrasil quem é esperto.
Eles se encararam, já demonstrando vontade de recuar.


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