Juro que, naquele momento de aperto, foi só uma frase inventada na hora, sem nenhuma outra intenção.
Obviamente, Fernando Gomes entendeu errado.
Ele largou os talheres, pegou um guardanapo e limpou delicadamente o canto dos lábios antes de ordenar diretamente:
— Lucy, já que é raro a Diretora Francisca também apreciar seus dotes culinários, vou pedir para você ficar e cuidar dela nesses próximos dias.
Senti um calafrio percorrendo meu corpo.
Depois do helicóptero, do salvamento, do segurança, da casa... agora o grande chefe queria me arranjar uma Lucy para cuidar da minha rotina diária?
Não é possível, ainda que o cargo de diretora do setor de tecnologia seja importante, não justifica tudo isso.
Fiquei realmente apreensiva.
— Não precisa, chefe, de verdade, posso me virar sozinha.
Mesmo que eu não pudesse, não teria coragem de deixar uma senhora que tem mais idade que minha própria mãe cuidando de mim todos os dias, correndo de um lado para o outro. Eu não conseguiria assistir a isso.
Por isso, mesmo depois de casada, insisti em não contratar empregada, sempre fiz tudo eu mesma.
Nunca tive vocação para usufruir dos privilégios dos capitalistas!
— Não pense muito nisso. Quando sua ferida cicatrizar, Lucy volta para casa.
— Não, chefe, realmente não...
Fernando Gomes ergueu os olhos. Seus olhos encantadores se estreitaram levemente, com um brilho cortante e inquestionável como cristal:
— Está decidido.
Eu: ...tudo bem!
No máximo, farei questão de ajudar mais no serviço.
Depois do jantar, Lucy lavou a louça enquanto eu e Fernando Gomes, desconfortáveis, nos sentamos no sofá. Sobre a mesinha, havia uma xícara de café para ajudar na digestão.
Além do meu pai e do Víctor Laranjeira, nunca tinha ficado assim, tão próxima de um homem.

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