Para destruir alguém, o método mais eficiente é abalar o muro da autoconfiança dela.
Assim, ela buscará cada vez mais provas para tentar convencer a si mesma e aos outros de que está dizendo a verdade.
Serena Cruz parecia ter ouvido uma piada das mais engraçadas. Sua risada, fina e estridente, soava quase cortante.
Talvez por gastar tanta energia com o riso, ela falava ofegante, com a voz um pouco rouca:
— Srta. Lobato, não me leve a mal, mas você é mesmo muito ingênua. Não adianta fingir calma para me confundir. Mulher entende de mulher. Só ouviu um pouco e já está assim? O que eu vou dizer a seguir talvez seja demais para você aguentar. E então, Sra. Laranjeira, quer mesmo ouvir?
Continuei impassível, mesmo sentindo o amargor, e joguei mais isca para ela:
— Pode inventar o que quiser. Sem provas, não acredito em nada do que diz. Víctor já me contou: há seis anos, quando você o deixou, já era apenas uma lembrança na vida dele. Ele me ama agora, não a você. Víctor é bondoso, só cuida de você por causa da sua saúde frágil. Não sou tola. Suas provocações não vão surtir efeito comigo.
Serena Cruz me lançou um olhar como se eu fosse uma completa tola. O desprezo em seus olhos era tão intenso que quase transbordava. De repente, aproximou-se de mim, ficando a menos de um braço de distância.
— Cinco anos, não é? Todos os meses, ele viaja a trabalho para o exterior, lembra? Sabe mesmo o que ele vai fazer lá? Pois saiba que, até hoje, ele não conseguiu abrir todos os caminhos que queria lá fora. Naquela época, ele só viajava para me ver. Ele ficava desesperado, só sossegava depois de me deixar cheia de marcas. Aliás, anteontem ele passou a noite inteira comigo. Não percebeu as marcas nas costas dele? Deixei para você ver mesmo. E tem mais, Sra. Laranjeira, venha dar uma olhada de perto.


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