Ao sair do restaurante, vi Fernando Gomes de imediato.
Ele estava ao lado de um poste de luz, transformado em uma paisagem, atraindo a atenção de todos que passavam.
— Não tinha um compromisso?
Ele se virou, e um leve sorriso brotou em seus olhos amendoados.
— Sabia que você também não ficaria por muito tempo.
Eu ia perguntar por que, mas ele continuou:
— Nenhum de nós é do tipo sem noção, certo?
Era verdade.
— Reservei uma mesa em outro restaurante, de comida saudável a vapor. Entre no carro, eu te levo. — Fernando Gomes caminhou até o carro, que apareceu não sei de onde, abriu a porta do passageiro e me convidou a entrar.
As palavras de Marina Batista ecoaram em minha mente como um relâmpago.
Meu pé, que estava prestes a se mover, fincou no chão.
— Obrigada, chefe, mas já comi o suficiente. Se eu voltar agora, ainda dá tempo de tirar um cochilo. Vou indo, até mais.
Dito isso, comecei a andar e parei na faixa de pedestres, esperando o sinal abrir.
Pelo canto do olho, vi Fernando Gomes olhando em minha direção e levantando a mão direita.
Ele queria me impedir.
Mas eu não queria ficar.
Ultimamente, por causa do contato mais frequente com ele, muitas coisas inesperadas aconteceram, e eu me meti em muitos problemas.
Eu não queria mais isso.
Queria que tudo acabasse para poder viver a vida tranquila que desejava.
Eu não tinha medo de Marina Batista, mas temia que a família dela viesse atrás de mim.
Porque eu, de verdade, não queria ter nenhuma relação com a família Batista.
O que eu mais temia era que a família Batista viesse me procurar para defender Marina Batista.
Nesse caso, não importava quem ganhasse ou perdesse, minha mãe, no céu, ficaria com o coração partido e triste ao ver sua filha amada sofrendo.
De volta à empresa, tentei dormir um pouco, mas não consegui.
Ao fechar os olhos, via apenas as acusações infundadas de Marina Batista.

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