Saí do quarto do hospital e fui ver Lília Santos.
Ela estava internada na UTI, deitada numa cama estreita, com os ferimentos envoltos em gaze e o corpo repleto de tubos. O soro gotejava num ritmo constante, e seu rosto, antes sempre bem maquiado, agora exibia uma palidez sem vida.
— Já descobriram o motivo? — perguntei.
Sep respondeu com respeito:
— Acabaram de me informar. Daniel Santos está cumprindo pena e se envolveu numa briga na prisão. Foi espancado e quase morreu, só sobreviveu após um dia e uma noite de socorro intenso. Alguém contou isso para Lília Santos e a fez acreditar que foi você quem mandou agredi-lo, levando Daniel Santos à beira da morte. Tomada pelo ódio, ela voltou do exterior decidida a se vingar, e foi ela quem planejou o acidente de carro de ontem.
Então era isso.
Daniel Santos merecia estar preso pelos crimes que cometeu. Mas dizer que eu mandei agredi-lo era uma invenção absurda.
Quem teria passado essa história à Lília Santos? Por que a induziram ao erro? O que essa pessoa realmente queria?
Não podia ser só o meu fim.
No caminho de volta, fiquei pensando nisso, tentando lembrar de todas as pessoas que conhecia, uma por uma, mas não consegui encontrar uma resposta.
Se ao menos Fernando Gomes estivesse aqui, ele com certeza daria um jeito.
Pensando em Fernando Gomes, peguei o celular e abri a conversa com ele. As duas mensagens que enviei continuavam marcadas como entregues, sem resposta alguma.
Já fazia vinte e quatro horas desde que nos separamos, e ele não dera sinal de vida, como se tivesse desaparecido do mundo.
O estranho era que, nesse tempo, me peguei várias vezes pensando nele, sem nem perceber.
Foi só então que percebi o quanto tinha passado a confiar e depender dele nesses dias de convivência.

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