Sentar no banco do passageiro não tinha nada de especial. O ideal seria se ela sentasse no colo dele, em cima daquela alavanca, e ainda tirasse uma foto para mim—assim sim, seria meu pequeno final feliz.
Posso afirmar: não sinto mais absolutamente nada por Víctor Laranjeira.
—Francisca, desça do carro. —Víctor Laranjeira parecia perder a paciência e quis avançar para me alcançar.
Fernando Gomes lançou um olhar pelo retrovisor, impassível, e acelerou. O carro já estava longe quando olhei de novo.
No espelho, vi Víctor Laranjeira entrando no carro e batendo a porta com força.
—Violência doméstica? Ou pegou o marido traindo? —Fernando Gomes apontou para o ferimento na minha testa com o queixo.
A pergunta era difícil de responder.
—Um pouco dos dois, mas nenhum exatamente isso.
Minha resposta divertiu Fernando Gomes. O canto de seus lábios se arqueou, irônico:
—Quem aguenta mais, se machuca mais.
Eu: ...Aff!
Vinte minutos depois, o carro parou em frente à minha casa. Saltei do carro quando Fernando Gomes me chamou:
—Diretora Francisca, a vida é sua. Não se maltrate tentando agradar os outros.
—Ah? Certo!
Ele falou como meu pai costumava falar.
No primeiro ano de casamento, quando Juliana Silva me implicava de propósito e eu não aguentava mais, voltei chorando para casa. Meu pai, já doente e acamado, disse algo parecido.
Só de lembrar dele, um vazio e uma tristeza profunda me invadiram.
Há tantas pessoas no mundo, mas nenhum outro é da minha família.
Meus olhos ficaram úmidos.
Que saudade do meu pai e da minha mãe.
O carro de Víctor Laranjeira estava estacionado certinho no quintal. Ele estava de pé na escada, me encarando sem piscar, com um olhar frio—todo o corpo exalava uma aura densa e escura.
Abaixei o olhar e passei por ele sem hesitar.
Ele segurou meu pulso direito e perguntou, sério:

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