De qualquer forma, no máximo por mais um ou dois anos, eu pretendia abrir minha própria empresa, construir meu próprio império de negócios – pedir demissão era só uma questão de tempo.
Achei que, até aí, a missão de ser namorada do chefe já tinha chegado ao fim. Era só devolver as joias amanhã cedo e pronto, cada um seguiria seu caminho.
Meia-noite chegou, marcando oficialmente o início de um novo ano. Na televisão, soavam as badaladas comemorando a virada.
Fiz meus pedidos: que o ano novo fosse tranquilo, que conseguisse fechar grandes contratos, ganhar dinheiro, conhecer melhor o mercado, fazer novos contatos e fortalecer minha base para, em breve, abrir minha própria empresa.
Mal tinha terminado de desejar, alguém bateu educadamente à porta.
Antes que eu pudesse sair da cama para atender, a pessoa já havia aberto a porta e entrado no quarto.
Vi Fernando Gomes vestindo um pijama de seda preto; o cabelo, recém-lavado, ainda úmido e caindo sobre a testa, suavizava bastante sua aparência comparada ao escritório.
Só que, no meio da noite, ele não vai dormir no próprio quarto? O que veio fazer aqui no meu?
Será que ele está pensando em...?
As palavras da Cecí vieram à minha mente, e um suor frio me escorreu pelas costas.
Se ele realmente tivesse essa intenção, eu não teria a menor chance de resistir.
Afinal, seria minha primeira vez – algo que eu sempre imaginei como um momento romântico, quase cinematográfico.
Além do mais, nunca, nem nos meus devaneios mais loucos, pensei em entregar minha primeira vez... para o chefe.
— Senhor, está muito tarde... o que... — perguntei, inquieta.
Fernando Gomes abriu o armário com a maior naturalidade, tirou um cobertor e começou a arrumar o sofá. Falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo:
— Claro que é para dormir. Não esqueça que agora somos namorados.
Fiquei sem reação... Antes de vir, ninguém me avisou que teria que dormir junto também.

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