—Fernando, não fui eu, foi ela que quis me bater, eu... eu não fiz nada, não é culpa minha — Giselle Gomes murmurou, com os olhos marejados, a voz trêmula de choro, parecendo tão frágil e indefesa, que chegava a dar pena.
— Então você está dizendo que meus olhos me enganaram? — A expressão de Fernando Gomes se fechou ainda mais, o olhar carregado de uma fúria cortante, como uma lâmina afiada prestes a ferir. — Eu estava aqui o tempo todo, vi tudo o que aconteceu. Não só você não assume seus erros, como ainda tem a audácia de difamar sua cunhada. De onde você tira tanta coragem?
Ele não poupava Giselle Gomes em nada.
Me puxou para perto, envolvendo-me levemente com o braço, os dedos quentes passando de leve sobre o vermelho na minha pele, um olhar de clara preocupação e uma pontinha de decepção na voz:
— Boba, por que ficou parada esperando ser maltratada? Já te disse tantas vezes: se alguém te faz mal, devolva cem vezes pior. Esqueceu? Enquanto eu estiver vivo, ninguém vai te humilhar.
Baixei o olhar, fingindo timidez e um quê de mágoa:
— Mas ela é sua irmã, Fernando. Eu, que um dia serei sua esposa, não posso me igualar a ela, não é?
Se era para atuar, que fosse até o último ato.
Fernando Gomes respondeu com firmeza:
— Ninguém é mais importante que você. A mulher de Fernando Gomes tem que saber não se curvar diante de ninguém.
Olhei para ele, encantada, sentindo que naquele instante sua força me envolvia por completo.
— Mano, foi ela quem me provocou! E você ainda fica do lado dela? Não aceito isso! — Giselle Gomes fixou os olhos na mão de Fernando em minha cintura, mordendo os lábios de raiva, os olhos inchados.
A bela garota, tomada pelo ciúme, mostrava um rosto distorcido pela inveja.
Ela gostar do irmão, isso não me dizia respeito. Mas não tinha o direito de me atacar.

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